Entre todos os poemas que escrevi, você é o mais perfeito. Digo isso a mim mesma, pois ninguém mais merece ouvir. Essa é uma carta de amor, uma carta para mim, dedicada àquela que, por tanto tempo, esperei reencontrar.
Entre todos os poemas que ouvi, creio que este seja o mais doloroso, pois ele não fala de alguém de fora, mas de mim mesma. Meu coração arde, e eu não sei ao certo o que é isso, apenas que há um desejo há muito adormecido — a minha alma anseia por mim. Nunca me dei tamanha atenção, e isso me assusta. Parece que, finalmente, meus sussurros me alcançaram.
Quantas vezes segui ecos de outras vozes, tentando me encontrar neles? Quantas vezes busquei em outros abraços o consolo que precisava dar a mim mesma? Hoje, sinto essa saudade como um abraço apertado, um calor que vem de dentro, pedindo para que eu nunca mais me perca de mim.
Entre todos os poemas que dediquei, este é o que mais me toca, pois foi ao longo dessas palavras que percebi: sinto falta de mim. Por onde andei todo esse tempo? Sempre me implorei por atenção, mas nunca fui capaz de me ouvir. Hoje, finalmente, posso prometer que estarei aqui, para me amar e me cuidar, como deveria ter feito há muito tempo.
Agora, curo minhas próprias feridas com paciência. Cada cicatriz é um lembrete de que sobrevivi, de que, mesmo afastada de mim mesma, eu resisti. E, com cada toque de cuidado, reconheço: sou meu próprio abrigo. A minha alma, que tanto vagou, encontrou repouso em mim, e eu aceito este reencontro com gratidão.
O tempo foi cruel em me afastar de mim, mas, hoje, sinto o conforto dessa saudade saciada. Finalmente, posso descansar em minha própria companhia, em paz comigo mesma.