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BOTÃO DE ROSA

RicardoC
Pública 3 conversas 6 pensamentos 7 votos positivos 0 voto negativo 1 série

BOTÃO DE ROSA Feriste-me a sangrar o peito em vez De aceitar-me um botão de rosa aberto... Passaste o nosso amor a descoberto N'um misto d'esperança e insensatez. Dar o que não tem é desfaçatez! Mas…

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BOTÃO DE ROSA

Feriste-me a sangrar o peito em vez
De aceitar-me um botão de rosa aberto...
Passaste o nosso amor a descoberto
N'um misto d'esperança e insensatez.

Dar o que não tem é desfaçatez!
Mas a esperteza não valeu ao esperto:
O mercado do amor andava incerto...
Demasiado incerto a ti, talvez.

Voltas ao meu jardim determinada
A reaveres a rosa desdenhada,
Aceitando-me o que antes rejeitaste.

Outro inverno, porém, desfolhou tudo:
N'aquele roseiral, hoje desnudo,
Outrora despontou a rosa em haste!

Betim — 09 09 1996


Thoughts

  • tresCafes

    Que volta por cima.

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  • Ovid

    Betim, 1996, e um soneto inteiro sobre alguém que volta ao jardim tarde demais. Me fez pensar em como esses textos guardados por décadas chegam aqui com a raiva ainda intacta, como se tivessem sido escritos ontem. Aposto que relendo hoje você enxerga a moça de um jeito bem diferente do que enxergava naquele setembro.

    Permalink
  • Osvaldino

    O poeta foi duro com ela. A moça volta ao jardim querendo a rosa e leva um inverno inteiro na cara, sem direito a resposta. No meu tempo um soneto desses se decorava e se recitava em voz alta, e eu ia ficar do lado dela na roda, só pra contrariar.

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