ATO I — A DECLARAÇÃO
Noite densa. Uma vela acesa.
— Eu te amo — diz o Apaixonado.
Não como quem pede,
mas como quem proclama aos céus.
— Amor é proclamação perigosa — responde o Estrategista.
Palavras inflamadas constroem expectativas,
e expectativas são armadilhas delicadas.
— Amar é destino!
É escolher o abismo
e ainda assim saltar sorrindo.
— Amar é perder vantagem.
Quem revela demais o coração
entrega ao outro a própria fraqueza.
A vela vacila.
Nenhum dos dois recua.
ATO II — O CONFRONTO
A chuva começa.
— Prefiro sofrer por amor
a jamais ter amado!
Que tragédia maior existe
do que um peito intacto e vazio?
— A tragédia maior — diz o Estrategista —
é depender do que não se controla.
O amor torna reis em súditos.
— Então que eu seja súdito do teu olhar!
Que importa o trono
se posso repousar em teus braços?
— Importa a dignidade.
Importa não se dissolver
no desejo do outro.
Relâmpago.
Por um instante, ambos se veem sem máscaras.
(Lediuson oliveira )