Ontem a lua estava cheia e em passagem pelo signo de touro.
A noite estava fresca, após a honra da visita da chuva. Era para ser uma noite de paz, mas me questionaram e eu, quando sou questionada, primeiro esbravejo e depois reflito.
Me perguntaram por que eu acredito na astrologia?
“Logo você, munida sempre de argumentos fortes, fatos, ciência, postura e documentos comprobatórios, como acredita em astrologia?”
Ué, acredito, pois, os astros são reais. Ou você ousa dizer que astros não existem? Que Saturno e Vênus são uma invenção popular? Que o sol, que inclusive rege meu signo, não mostra a cara todo dia? Vai me dizer que a lua não tem fases?
A lua interfere nos momentos do parto, na agricultura, no cio dos bichos. A lua mexe com o mar, um gigante indomável. Não vai mexer conosco, seres mortais e com o corpo coberto em 60% de água?
Eu acredito até no ser humano, que atualmente não consegue interpretar um texto.
Acredito que o ser humano que confia em notícias falsas do WhatsApp pode se render e se tornar um leitor de artigos acadêmicos. Vaga esperança…
Acredito que ainda há tempo de salvar a Terra do aquecimento global, causado por homens que se acham inteligentes.
Acredito que minha oração chegue em algum lugar longe e, por isso, peço em prece para que a crise geopolítica seja abrandada.
O ser humano é dotado de crenças inexplicáveis, inclusive há tantas presunções que são capazes de colocarem filhos nesse mundo que já está mais perto do fim, aliás um fim trágico, com fogo e sem água.
Seres humanos acreditam no amor romântico e monogâmico, mesmo sofrendo traições dos mais diversos aspectos todos os dias.
E, com tudo isso, eu ainda preciso explicar a minha opinião em astrologia?
Eu poderia dizer que meu único desvio de caráter é crer na astrologia, mas não posso afirmar isso, pois também gosto do pagode do Belo.
Me perdoem pelo meu gosto musical não ser 100% íntegro e me perdoem por acreditar em astrologia.