— Como eu vim parar nesse lugar? — perguntei, confuso.
Ele me olhou com um olhar de quem já tinha escutado aquela pergunta várias vezes.
Sem pressa, respondeu:
— Aqui é um lugar onde as pessoas foram esquecidas com o tempo.
— Mas eu estava debaixo daquela árvore agora há pouco.
A menina de anteriormente sorriu para mim, com um sorriso doce.
Eu a encarei por um segundo a mais, tentando compreender como havia chegado ali.
Então, resolvi ir atrás dela.
— Ei, garota!
— Olá, garoto.
— Por que você me trouxe para cá?
— Eu não te trouxe. Você se guiou até aqui.
Por um breve instante, percebi que realmente havia sido eu quem a seguiu.
— Como você veio parar aqui? — perguntei.
— Bom... eu não me lembro.
— Não se lembra? — perguntei, confuso.
— Todas as pessoas que chegam aqui acabam esquecendo a vida que tiveram um dia.
— Mas eu não esqueci.
Ela me olhou por alguns segundos, como se tentasse encontrar alguma resposta em meu rosto.
— Talvez o tempo
ainda queira te dar uma segunda chance.
— Segunda chance? Hahaha o que eu sou agora? Um fantasma.
Ela me encarou com uma expressão de tristeza em seus olhos.
— talvez. Mas não faça tantas perguntas, as vezes é melhor esquecer é continuar nessa vida mal assombrada.
Ela abaixou a cabeça é foi embora.
Sentir algo dentro de mim, mas dessa vez não a seguir.
Deixei ela partir, talvez seja o pior erro que já cometi.