O chuveiro continua sendo o maior esconderijo para as lágrimas que há tanto tempo guardo. É curioso como a água consegue disfarçar aquilo que o coração já não consegue esconder. Entre o vapor e o barulho das gotas, permito que a dor escape em silêncio, sem perguntas, sem julgamentos, sem a necessidade de parecer forte.
Durante o dia, visto sorrisos, respondo que está tudo bem e sigo em frente. Mas, quando a porta do banheiro se fecha, as barreiras caem junto com a água. Ali, cada lágrima encontra liberdade, cada lembrança ganha voz e cada saudade pesa um pouco mais.
Talvez ninguém perceba o quanto dói carregar sentimentos por tanto tempo. Talvez ninguém imagine quantas batalhas são travadas em silêncio. E, ainda assim, continuo acreditando que um dia essas lágrimas deixarão de ser um refúgio e passarão a ser apenas a lembrança de uma fase que consegui superar.
Até lá, o chuveiro continua sendo testemunha das minhas dores, dos meus medos e da esperança que, mesmo machucada, insiste em permanecer viva.