No Reino de Havana, outros pretendentes haviam chegado querendo conquistar o coração da princesa, que estava sentada num trono com expressão triste.
Brendha sabia que, se não encontrasse um marido naquele dia, seu pai escolheria um para ela.
Antes do primeiro pretendente chegar, Renzo se aproximou da filha e explicou a importância do casamento.
- Sua mãe e eu nos conhecemos por meio de um casamento arranjado. Ela pertencia a uma das famílias nobres da Espanha e deixou sua terra natal para se tornar minha esposa. - Renzo suspirou, lembrando daquela época. - Graças à nossa união, Havana evitou uma guerra e estabeleceu uma duradoura aliança com aquele reino.
- De que adianta falar em paz, se ela foi obrigada a se casar com um homem que nem conhecia? A mamãe preferiu morrer a viver o resto da vida ao seu lado.
Renzo ficou paralisado com a fala e deu um tapa no rosto da filha.
O rei se virou para um dos guardas e disse:
- Deixe o primeiro pretendente entrar. Minha filha sairá casada deste palácio.
Brendha permaneceu em silêncio, tocando o rosto onde o tapa foi dado.
Fora do reino, em cabanas distantes.
Os Amarelos estavam reunidos com suas armas de guerra.
O líder do grupo, Auron, tinha duas tranças no cabelo que chegavam às costas. Ele segurava uma espada roubada de uma aldeia de ferreiros que havia sido saqueada anteriormente.
Draka afiava seu machado de batalha, com um sorriso estampado no rosto.
Voltando para o reino, os pretendentes eram recusados por Brendha, que pensava em um plano para evitar qualquer casamento.
E se eu fugisse e me tornasse uma nômade? Não, ela não teria coragem de deixar o pai sozinho, sem contar os guardas que a observavam, impedindo-a de sair do palácio.
Um homem loiro, com cerca de 1,70 m de altura e pele branca como leite, entrou no salão do trono com uma expressão convencida.
Ele se ajoelhou aos pés de Brendha e começou a contar sua história.
- Eu sou Philippe, de uma família nobre e influente do sul da Europa, e quero pedir a mão desta adorável jovem em casamento.
Antes que Brendha recusasse o pretendente, Renzo interveio.
- Ótimo, minha filha aceita esse casamento.
Brendha olhou para o pai, assustada.
Philippe se levantou, sorriu e se aproximou de Brendha.
- Vou falar com meus escravos para começarem os preparativos do casamento.
- Escravos? - perguntou Brendha, incrédula.
- Sim, teremos muitos escravos para nós. Espero que não se incomode com a pele inferior deles.
Brendha sentiu um nó na garganta. Pela primeira vez naquele dia, ela não conseguia encontrar palavras para responder.
- Você terá tudo o que uma mulher poderia quer...
Uma flecha atravessou a cabeça do nobre, matando-o instantaneamente.
O corpo caiu pesadamente sobre o chão de mármore.
O sangue sujou o vestido de Brendha, que ficou horrorizada com a cena.
Por um breve instante, ninguém no salão ousou respirar.
Na porta do salão havia aproximadamente dez homens, todos armados e vestidos com mantos amarelos. Mesmo com o pequeno número de guerreiros, cada um deles equivalia a uma dezena de soldados.
Brendha se levantou, aproximando-se lentamente do pai.
- Vim reivindicar o que é meu. - gritou Draka. - Você achou que eu iria aceitar aquela humilhação calado, sua vadia.
Brendha tremia, enquanto o rei se pôs à frente dela.
- Guardas! Matem os invasores!
Os dez guerreiros deram um passo à frente.