Observo nesta bela quarta-feira uma obra numa sala vazia,
a cozinha está ao longe com pessoas nela,
e a sala parece a mente de um artista,
você não entenderia.
O quadro acolhe minhas dores como um outdoor.
Estampado nele eu sou rainha,
aos meus pés estão as minhas dores,
o cansaço se apresenta como uma mulher velha,
a melancolia é jovem com olhos lacrimejados
e minha intensidade é a de um homem apaixonado.
Ao meu lado está meu rei, seguro de sua coroa,
seu reinado é infinito, ninguém é melhor que meu rei.
Estampado num espelho eu vejo um homem ao canto,
ele veste boas roupas? É da corte?
A rainha o considera? Isso importa?
Minha rainha empunha sua espada, ela tem a lua cheia na cabeça,
nos seus pés tem sangue,
suas pernas abertas e seu sorriso selvagem não tiram sua coroa,
seu vestido com manchas de sangue e suor.
E eu ainda sou rainha,
mas o homem ao espelho a observa
como se quisesse saber da suas emoções,
mas sua presença não importa para a corte,
na ponta de minha espada está o mesmo homem do espelho,
agora vestido de duque, mas decepado pela própria rainha,
ao lado de seu corpo se encontra um bilhete
manchado de sangue escrito em letras intensas
“ Eu te amarei até este amor se esgotar e te fazer decapitado de minha corte”.