Eu me perco, me encontro e volto outra vez.
Escuto, anoto, assumo — e algo me faz perder a direção outra vez.
Eu planejo, executo e esqueço o porquê de tudo.
E lá vamos nós, mais uma vez.
É irritante ter tantas visões, tantas possibilidades.
Eu sei que tenho sorte.
Reconheço que tenho privilégios enormes.
Mesmo assim, onde estou?
Para onde devo ir?
O que sou?
O que faço aqui?
Perguntas, planos.
Eu sei as respostas do básico que me foi entregue.
Mas eu me perco.
Dentro e fora de mim?
Sim.
É exatamente assim.
Eu me perco pelo externo
e pela bagunça de fragmentos que nunca se calam.
E quando, finalmente, fica tudo em silêncio...
onde eu estava?
Ah.
De novo, acho que me perdi.
Ah, esqueci.
Alguém anota para mim?
Não.
Porque é cada um por si.
(Autoral de Sids)