Se isso foi um desabafo, espero que fique tudo bem com você.❤️
Amor paterno
Meu pai foi usuário de drogas e chegou a vendê-las na faculdade. Não sei exatamente por que minha mãe se apaixonou por ele, nem o que a fez enxergar nele alguém com quem gostaria de construir uma…
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Pensamento
Se isso foi um desabafo, espero que fique tudo bem com você.❤️
Conteúdo da publicação
Meu pai foi usuário de drogas e chegou a vendê-las na faculdade. Não sei exatamente por que minha mãe se apaixonou por ele, nem o que a fez enxergar nele alguém com quem gostaria de construir uma vida. Eles começaram um relacionamento e, pouco tempo depois, se casaram no papel. Então eu nasci.
Meus pais se divorciaram quando eu tinha apenas dois anos. Durante muito tempo, eu me perguntava o motivo. Não entendia o que havia acontecido entre eles e, principalmente, não conseguia compreender por que uma família que um dia existiu havia deixado de existir.
Minha família sempre me contou que meu pai havia sido uma pessoa ruim. E, conforme fui crescendo e convivendo com ele, comecei a perceber que talvez eles tivessem razão.
Minha avó sempre fala sobre o quanto o odeia por ter deixado minha mãe e a mim como se não fôssemos nada. Ela se lembra das palavras que ele dizia, mandando que nos levassem embora. Eu era pequena demais para entender o que aquilo significava, mas cresci vendo o quanto essas lembranças ainda machucam minha mãe. Muitas vezes, vi minha mãe chorar por coisas que eu nem conseguia compreender, e aquilo também me fazia sentir mal.
Mas talvez uma das coisas mais difíceis tenha sido crescer no meio de tudo isso.
Quando meu pai me buscava para passar alguns dias com ele, muitas vezes falava mal da minha mãe para mim. Eu ficava ali, ouvindo alguém que amo falar mal de outra pessoa que também amo. E não havia um lado para escolher, porque os dois eram meus pais. Eu não queria ouvir aquelas coisas, não queria precisar entender os problemas deles e muito menos carregar uma história que não era minha.
Era doloroso amar duas pessoas e, ao mesmo tempo, sentir que precisava suportar a mágoa que existia entre elas.
Meu pai também nunca soube muito bem se expressar. Muitas vezes, em vez de conversar comigo, gritava. Durante muito tempo, achei aquilo normal, talvez porque fosse a forma que eu conhecia de me relacionar com ele. Depois de algumas discussões, ele até melhorou um pouco. Hoje consigo perceber algumas mudanças, mas ainda sinto que não foi o suficiente.
E existe outra coisa que ainda é difícil para mim: muitas vezes sinto que não tenho escolha quando preciso ir para a casa dele. Por causa do divórcio, existem momentos em que simplesmente preciso ir, mesmo quando não quero. E quando digo que não quero, ele acaba reclamando, insistindo e se colocando como se fosse a vítima da situação, dizendo que é meu pai e que deveria estar com ele.
Mas ser pai não deveria significar apenas ter o direito de estar presente fisicamente.
Ser pai também deveria significar entender quando a filha está machucada. Escutar. Conversar. Respeitar.
Thoughts
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PermalinkConcordo demais com o final. Estar presente e escutar são duas coisas diferentes, e aqui em casa eu levei um tempo pra entender isso também.
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PermalinkNão é a mesma coisa, mas eu conheço o domingo à noite de sair de um lugar sem querer. Aqui é rodoviária e três semanas até a próxima. Ter que ir quando tu não quer deve pesar igual.
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PermalinkHá uns anos o meu filho mais novo repetiu-me uma frase que eu tinha dito sobre a mãe dele quando ele tinha seis anos. Eu já nem me lembrava de a ter dito. Ele lembrava-se da cozinha e da hora. Os adultos calculam muito mal o tempo que isso fica guardado.
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PermalinkUma criança de dois anos não escolhe lado nenhum e ainda assim é quem fica no meio ouvindo. Essa parte de carregar uma história que não era sua me faz pensar em quanta gente cresce assim sem ter um nome pra aquilo. E o final, escutar e respeitar, é a coisa mais direta que já li sobre ser pai. Obrigado por escrever!
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PermalinkVixe. 😔
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PermalinkSe isso foi um desabafo, espero que fique tudo bem com você.❤️