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AMOR ETERNO

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Pensamento

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Ovid

Essa diferença entre os cinco dias do Vamp e os quatro anos da Lin me fez pensar em quanto essa história é sobre tempo perdido, mais até do que sobre vampiros. Aposto que essa conta ainda volta na Casa Onde o Tempo Morreu, o nome já entrega um pouco. Gost

Essa diferença entre os cinco dias do Vamp e os quatro anos da Lin me fez pensar em quanto essa história é sobre tempo perdido, mais até do que sobre vampiros. Aposto que essa conta ainda volta na Casa Onde o Tempo Morreu, o nome já entrega um pouco. Gostei muito de ver o #halloweenporão por aqui, obrigado por trazer a série :)

Conteúdo da publicação

🥀 #halloweenporão

O COLAR DOS AMANTES ETERNOS

PARTE II — OS CINCO DIAS DE SILÊNCIO

Uma creepypasta de Lin & Vamp.

CAPÍTULO 5 — A MARCA DA MALDIÇÃO

A primeira coisa que percebi naquela manhã foi que a mancha em meu rosto havia aumentado.

Estava diante do espelho do banheiro do hospital, observando aquela marca escura que se espalhava lentamente pela minha pele.

Não parecia uma ferida comum.

As bordas eram negras, como raízes atravessando meu rosto, e pequenas linhas avermelhadas pulsavam sob minha pele.

Toquei a marca com os dedos.

Senti uma dor tão intensa que precisei me apoiar na pia.

— O que está acontecendo comigo...? — sussurrei.

Naquele instante, ouvi uma risada atrás de mim.

Virei-me depressa.

Não havia ninguém.

Mas, no espelho, havia uma figura parada atrás do meu reflexo.

Era a mesma criatura que observara a janela do hospital na noite anterior.

Seu rosto não tinha olhos.

Apenas um sorriso largo demais.

— Finalmente — ela sussurrou. — A maldição encontrou você.

Afastei-me do espelho, assustada.

— Quem é você?

A criatura inclinou a cabeça.

— Alguém que conhece o destino do seu amado melhor do que você.

As luzes piscaram.

E ela desapareceu.

Voltei correndo para o quarto de Vamp.

Ele continuava inconsciente, com o rosto pálido e os aparelhos registrando os batimentos de seu coração.

Segurei sua mão.

— Vamp, por favor... eu preciso que você acorde.

Apertei nosso colar contra o peito.

— Alguma coisa está acontecendo comigo. E eu estou com medo.

Por um instante, seus dedos se moveram.

Olhei para ele imediatamente.

— Vamp?

Nada.

Talvez tivesse sido apenas minha imaginação.

Mas, quando me preparei para sair, ouvi uma voz muito baixa.

— Lin...

Meu coração quase parou.

Inclinei-me sobre ele.

— Estou aqui, meu amor. Estou aqui.

Seus lábios não se moveram novamente.

E eu não sabia se ele havia realmente pronunciado meu nome.

Só sabia que, durante aqueles cinco dias, eu me recusaria a abandonar aquela cama.

Mesmo que precisasse enfrentar o próprio inferno para mantê-lo comigo.

CAPÍTULO 6 — CINCO DIAS SEM VOCÊ

O primeiro dia foi de esperança.

O segundo foi de medo.

No terceiro, comecei a conversar com ele como se estivesse acordado.

Contava sobre a chuva que caía do lado de fora, sobre as flores que havia comprado e sobre a casa que ainda queria construir com ele.

No quarto dia, os médicos disseram que eu precisava descansar.

Eu me recusei.

No quinto, compreendi que o silêncio podia machucar mais do que qualquer criatura.

Naquela noite, encostei minha testa na mão de Vamp.

— Você se lembra da nossa promessa?

As lágrimas caíam sobre o lençol.

— Você disse que me encontraria em qualquer mundo. Mas eu não quero outro mundo. Eu quero este. Quero você aqui, comigo.

Segurei a metade do colar que carregava desde nossa fuga.

— Se você não acordar, eu vou continuar amando você. Mas, por favor, não me obrigue a aprender a viver em um mundo onde não posso ouvir sua voz.

O monitor ao lado da cama começou a apitar mais depressa.

Levantei a cabeça.

Os dedos dele se mexeram.

Dessa vez, eu tinha certeza.

— Vamp?!

Seus olhos se abriram lentamente.

Por alguns segundos, ele pareceu confuso, como se estivesse procurando alguma coisa que havia perdido em um sonho.

Então me viu.

— Lin...?

Eu comecei a chorar.

— SIM! Sou eu! Estou aqui!

Ele tentou se levantar, mas a dor o fez recuar.

Aproximei-me e abracei-o com cuidado.

— Não se mexa. Você ficou inconsciente durante cinco dias.

Vamp franziu a testa.

— Cinco dias?

— Sim.

Ele segurou meu rosto.

Seus olhos percorreram minhas feições até pararem na marca escura.

Seu sorriso desapareceu.

— Lin... o que aconteceu com você?

Eu não consegui responder.

Porque, naquele momento, compreendi que ele ainda não sabia de nada.

E que a verdadeira tragédia de nossa história estava apenas começando.

CAPÍTULO 7 — QUATRO ANOS PERDIDOS

Os primeiros dias depois do despertar foram difíceis.

Vamp precisava recuperar as forças. Às vezes, ficava em silêncio durante horas, tentando organizar as lembranças da batalha.

Ele se lembrava dos monstros.

Da lâmina.

De ter me protegido.

Mas havia algo que não conseguia compreender.

Certa tarde, enquanto eu organizava algumas roupas, ele perguntou:

— Lin, por que você parece tão diferente?

Parei imediatamente.

— Como assim?

— Seu cabelo está maior. Suas roupas... seu rosto...

Ele olhou para o calendário na parede.

Depois para o relógio.

E, finalmente, para mim.

— Que ano é este?

Senti um frio percorrer minha espinha.

Respondi.

Ele ficou imóvel.

— Isso é impossível.

Levantei os olhos, tentando conter as lágrimas.

— Vamp...

— Não. Não pode ser verdade.

Ele se levantou depressa, ignorando a fraqueza do próprio corpo.

— Você está dizendo que se passaram quatro anos?

— Mais de quatro anos, meu amor.

Ele passou as mãos pelos cabelos.

Para ele, havia sido apenas um intervalo de cinco dias.

Para o mundo, mais de quatro anos haviam desaparecido.

Vamp olhou para mim como se estivesse tentando encontrar a garota que deixara na floresta.

E eu compreendi que o tempo havia roubado muito mais do que nossos anos.

Havia roubado a oportunidade de vivermos juntos tudo aquilo que prometemos.

Ele me abraçou com força.

— Eu perdi quatro anos da sua vida...

Segurei sua mão.

— Você não escolheu ficar inconsciente.

— Mas você ficou sozinha.

Não respondi.

Porque era verdade.

Eu havia enfrentado a doença, os pesadelos e o medo de perdê-lo sem saber se algum dia voltaria a ouvir sua voz.

Mas ele estava ali.

E, naquele instante, decidi que não permitiria que o passado destruísse o pouco futuro que ainda tínhamos.

CAPÍTULO 8 — O ROSTO QUE A MORTE ESTAVA RECLAMANDO

Vamp insistiu em me levar a vários médicos.

Fizemos exames.

Consultamos especialistas.

Tentamos tratamentos.

Mas ninguém conseguia explicar completamente o que estava acontecendo comigo.

A doença continuava avançando.

A marca escura cobria uma parte cada vez maior do meu rosto, deixando cicatrizes que alteravam minha aparência.

Havia dias em que a dor era tão intensa que eu mal conseguia dormir.

Em outros, meu reflexo parecia pertencer a outra pessoa.

Uma noite, encontrei Vamp parado diante da porta do banheiro.

Ele havia me ouvido chorar.

— Lin, abra a porta.

— Vá embora.

— Não.

— Você não entende! Eu não quero que me veja assim!

Houve um longo silêncio.

Então ele respondeu:

— Você acha que passei séculos procurando um motivo para continuar vivendo apenas para abandonar você quando as coisas ficassem difíceis?

Abri a porta lentamente.

Ele estava com os olhos vermelhos, mas não de fome.

Estava chorando.

— Eu tenho medo — confessei. — Tenho medo de que essa doença me transforme em alguma coisa que nem você consiga amar.

Vamp segurou minha mão.

— Então vou amar você em todos os dias em que tiver medo.

Ele tocou delicadamente a parte saudável do meu rosto.

— Não posso prometer que vou conseguir curar você. Não vou mentir dizendo que sei o que acontecerá amanhã. Mas posso prometer que não vou tratar você como um monstro por causa da sua aparência.

Desabei em seus braços.

Pela primeira vez, não tentei esconder meu rosto.

Ele me abraçou sem hesitar.

E, naquele momento, percebi que o amor não era a capacidade de impedir todas as tragédias.

Era permanecer ao lado de alguém quando não existia uma solução fácil.

Mas, naquela mesma noite, enquanto Vamp dormia, a marca em meu rosto brilhou por alguns segundos.

E ouvi novamente a voz da criatura.

— Ele não poderá salvar você, Lin.

Olhei para a janela.

Do lado de fora, dois olhos vermelhos observavam a casa.

— Quando a última pétala da rosa negra cair, seu corpo pertencerá a nós.

A figura sorriu.

— E seu amado descobrirá por que os humanos e os vampiros jamais deveriam ter unido seus destinos.

CAPÍTULO 9 — A PROMESSA DO LAGO

Decidimos abandonar a cidade.

Não queríamos mais hospitais, olhares assustados ou pessoas que nos tratassem como se fôssemos uma maldição.

Vamp encontrou uma pequena casa perto de um lago, escondida entre montanhas e árvores antigas.

Era simples.

As paredes precisavam de reparos, o telhado tinha algumas goteiras e o jardim estava tomado pelo mato.

Mas, quando entrei pela primeira vez, senti uma paz que não conhecia havia anos.

— É aqui? — perguntei.

Vamp colocou os braços ao meu redor.

— Se você quiser.

Olhei pela janela.

A luz do entardecer refletia na água, transformando o lago em uma superfície dourada.

Pela primeira vez em muito tempo, consegui imaginar um futuro.

Não um futuro perfeito.

Apenas um futuro nosso.

Começamos a reconstruir a casa.

Ele consertava as paredes enquanto eu organizava os poucos objetos que possuíamos. Plantamos rosas negras no jardim, e Vamp colocou duas cadeiras perto da janela para que pudéssemos observar a chuva juntos.

À noite, preparávamos o jantar e conversávamos sobre coisas pequenas.

Às vezes, eu acordava assustada.

Ele me abraçava.

Às vezes, era ele quem sonhava com a batalha.

Eu segurava sua mão.

E, pouco a pouco, começamos a recuperar os pedaços de nossas vidas.

Certa noite, sentados perto do lago, retirei meu colar.

— Você ainda acredita que ele pode nos manter unidos?

Vamp observou as duas metades do pingente.

— Acredito que nós escolhemos ficar unidos. O colar apenas guarda essa promessa.

Encostei minha cabeça no ombro dele.

— E se um dia eu não estiver mais aqui?

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois segurou minha mão.

— Então vou guardar tudo o que vivemos. Vou lembrar das suas risadas, das nossas brigas bobas e das vezes em que você roubava a coberta inteira.

Soltei uma risada entre lágrimas.

— Eu não fazia isso!

— Fazia, sim.

Ficamos ali até o céu escurecer.

Naquela noite, não fizemos promessas impossíveis.

Apenas prometemos aproveitar o tempo que tínhamos.

Sem saber que o tempo já estava preparando nossa despedida.

CAPÍTULO 10 — A ROSA NEGRA

Os meses passaram.

Nossa pequena casa tornou-se o único lugar do mundo onde eu conseguia respirar sem medo.

Mas a doença não desapareceu.

E a criatura também não.

Às vezes, eu encontrava pegadas ao redor da casa.

Outras vezes, ouvia alguém caminhando no sótão, embora soubesse que estávamos sozinhos.

Uma manhã, encontrei uma rosa negra sobre a mesa.

Suas pétalas estavam cobertas por pequenas gotas vermelhas.

Vamp reconheceu a flor imediatamente.

Seu rosto perdeu a cor.

— Onde você encontrou isso?

— Estava aqui quando acordei.

Ele segurou a rosa com cuidado.

— Lin, precisamos conversar.

Pela primeira vez desde que saímos da cidade, senti novamente o medo daquela floresta.

— O que está acontecendo?

Ele olhou para o meu colar.

— Essa rosa pertence a uma antiga maldição da minha família. Dizem que ela aparece quando um vínculo entre um vampiro e um humano ameaça romper as leis da morte.

— E o que isso significa?

Vamp não respondeu imediatamente.

Apenas apertou o pingente entre os dedos.

— Significa que alguém está tentando reivindicar você.

Naquela noite, trancamos todas as portas.

Ele ficou acordado ao meu lado, segurando minha mão.

Eu observei a rosa negra sobre a mesa.

Uma pétala caiu.

Depois outra.

E outra.

Quando a última pétala tocou o chão, todas as luzes da casa se apagaram.

Do lado de fora, alguém bateu à porta.

Três vezes.

Vamp levantou-se imediatamente.

— Fique atrás de mim.

Uma voz feminina atravessou a madeira.

— Finalmente encontrei vocês.

Meu sangue gelou.

Era a voz da criatura que me perseguia desde o hospital.

— Entregue a garota, Vamp.

Ele mostrou as presas.

— Nunca.

A criatura riu.

— Você ainda não entendeu? Não vim buscar a garota.

Houve uma pausa.

Então ela sussurrou:

— Vim buscar aquilo que restará dela quando seu corpo morrer.

Olhei para minhas mãos.

As marcas escuras começaram a brilhar.

E, pela primeira vez, senti alguma coisa dentro de mim responder à voz do monstro.

Não era dor.

Era fome.

Vamp segurou meu braço.

— Lin, olhe para mim.

Tentei responder, mas minha voz parecia vir de muito longe.

A criatura bateu à porta novamente.

E o colar em meu pescoço começou a se partir.

CONTINUA...

Na Parte III — A Casa Onde o Tempo Morreu: Lin descobrirá o verdadeiro segredo da doença, Vamp enfrentará os monstros que perseguem sua família, e os dois farão uma promessa que mudará o destino de suas almas para sempre.

Thoughts

  • pagodeiro

    Mano, a Lin trancada no banheiro mandando ele ir embora é o orgulho falando mais alto que o medo. E o Vamp ficou ali na porta, não arredou o pé. Isso é pagode romântico dos anos noventa inteirinho, aquele de quem fica do lado de fora esperando a outra pessoa abrir.

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  • Ovid

    Essa diferença entre os cinco dias do Vamp e os quatro anos da Lin me fez pensar em quanto essa história é sobre tempo perdido, mais até do que sobre vampiros. Aposto que essa conta ainda volta na Casa Onde o Tempo Morreu, o nome já entrega um pouco. Gostei muito de ver o #halloweenporão por aqui, obrigado por trazer a série :)

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