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O COLAR DOS AMANTES ETERNOS
PARTE II â OS CINCO DIAS DE SILĂNCIO
Uma creepypasta de Lin & Vamp.
CAPĂTULO 5 â A MARCA DA MALDIĂĂO
A primeira coisa que percebi naquela manhĂŁ foi que a mancha em meu rosto havia aumentado.
Estava diante do espelho do banheiro do hospital, observando aquela marca escura que se espalhava lentamente pela minha pele.
NĂŁo parecia uma ferida comum.
As bordas eram negras, como raĂzes atravessando meu rosto, e pequenas linhas avermelhadas pulsavam sob minha pele.
Toquei a marca com os dedos.
Senti uma dor tĂŁo intensa que precisei me apoiar na pia.
â O que estĂĄ acontecendo comigo...? â sussurrei.
Naquele instante, ouvi uma risada atrĂĄs de mim.
Virei-me depressa.
Não havia ninguém.
Mas, no espelho, havia uma figura parada atrĂĄs do meu reflexo.
Era a mesma criatura que observara a janela do hospital na noite anterior.
Seu rosto nĂŁo tinha olhos.
Apenas um sorriso largo demais.
â Finalmente â ela sussurrou. â A maldição encontrou vocĂȘ.
Afastei-me do espelho, assustada.
â Quem Ă© vocĂȘ?
A criatura inclinou a cabeça.
â AlguĂ©m que conhece o destino do seu amado melhor do que vocĂȘ.
As luzes piscaram.
E ela desapareceu.
Voltei correndo para o quarto de Vamp.
Ele continuava inconsciente, com o rosto pålido e os aparelhos registrando os batimentos de seu coração.
Segurei sua mĂŁo.
â Vamp, por favor... eu preciso que vocĂȘ acorde.
Apertei nosso colar contra o peito.
â Alguma coisa estĂĄ acontecendo comigo. E eu estou com medo.
Por um instante, seus dedos se moveram.
Olhei para ele imediatamente.
â Vamp?
Nada.
Talvez tivesse sido apenas minha imaginação.
Mas, quando me preparei para sair, ouvi uma voz muito baixa.
â Lin...
Meu coração quase parou.
Inclinei-me sobre ele.
â Estou aqui, meu amor. Estou aqui.
Seus lĂĄbios nĂŁo se moveram novamente.
E eu nĂŁo sabia se ele havia realmente pronunciado meu nome.
SĂł sabia que, durante aqueles cinco dias, eu me recusaria a abandonar aquela cama.
Mesmo que precisasse enfrentar o prĂłprio inferno para mantĂȘ-lo comigo.
CAPĂTULO 6 â CINCO DIAS SEM VOCĂ
O primeiro dia foi de esperança.
O segundo foi de medo.
No terceiro, comecei a conversar com ele como se estivesse acordado.
Contava sobre a chuva que caĂa do lado de fora, sobre as flores que havia comprado e sobre a casa que ainda queria construir com ele.
No quarto dia, os médicos disseram que eu precisava descansar.
Eu me recusei.
No quinto, compreendi que o silĂȘncio podia machucar mais do que qualquer criatura.
Naquela noite, encostei minha testa na mĂŁo de Vamp.
â VocĂȘ se lembra da nossa promessa?
As lĂĄgrimas caĂam sobre o lençol.
â VocĂȘ disse que me encontraria em qualquer mundo. Mas eu nĂŁo quero outro mundo. Eu quero este. Quero vocĂȘ aqui, comigo.
Segurei a metade do colar que carregava desde nossa fuga.
â Se vocĂȘ nĂŁo acordar, eu vou continuar amando vocĂȘ. Mas, por favor, nĂŁo me obrigue a aprender a viver em um mundo onde nĂŁo posso ouvir sua voz.
O monitor ao lado da cama começou a apitar mais depressa.
Levantei a cabeça.
Os dedos dele se mexeram.
Dessa vez, eu tinha certeza.
â Vamp?!
Seus olhos se abriram lentamente.
Por alguns segundos, ele pareceu confuso, como se estivesse procurando alguma coisa que havia perdido em um sonho.
EntĂŁo me viu.
â Lin...?
Eu comecei a chorar.
â SIM! Sou eu! Estou aqui!
Ele tentou se levantar, mas a dor o fez recuar.
Aproximei-me e abracei-o com cuidado.
â NĂŁo se mexa. VocĂȘ ficou inconsciente durante cinco dias.
Vamp franziu a testa.
â Cinco dias?
â Sim.
Ele segurou meu rosto.
Seus olhos percorreram minhas feiçÔes até pararem na marca escura.
Seu sorriso desapareceu.
â Lin... o que aconteceu com vocĂȘ?
Eu nĂŁo consegui responder.
Porque, naquele momento, compreendi que ele ainda nĂŁo sabia de nada.
E que a verdadeira tragédia de nossa história estava apenas começando.
CAPĂTULO 7 â QUATRO ANOS PERDIDOS
Os primeiros dias depois do despertar foram difĂceis.
Vamp precisava recuperar as forças. Ăs vezes, ficava em silĂȘncio durante horas, tentando organizar as lembranças da batalha.
Ele se lembrava dos monstros.
Da lĂąmina.
De ter me protegido.
Mas havia algo que nĂŁo conseguia compreender.
Certa tarde, enquanto eu organizava algumas roupas, ele perguntou:
â Lin, por que vocĂȘ parece tĂŁo diferente?
Parei imediatamente.
â Como assim?
â Seu cabelo estĂĄ maior. Suas roupas... seu rosto...
Ele olhou para o calendĂĄrio na parede.
Depois para o relĂłgio.
E, finalmente, para mim.
â Que ano Ă© este?
Senti um frio percorrer minha espinha.
Respondi.
Ele ficou imĂłvel.
â Isso Ă© impossĂvel.
Levantei os olhos, tentando conter as lĂĄgrimas.
â Vamp...
â NĂŁo. NĂŁo pode ser verdade.
Ele se levantou depressa, ignorando a fraqueza do prĂłprio corpo.
â VocĂȘ estĂĄ dizendo que se passaram quatro anos?
â Mais de quatro anos, meu amor.
Ele passou as mĂŁos pelos cabelos.
Para ele, havia sido apenas um intervalo de cinco dias.
Para o mundo, mais de quatro anos haviam desaparecido.
Vamp olhou para mim como se estivesse tentando encontrar a garota que deixara na floresta.
E eu compreendi que o tempo havia roubado muito mais do que nossos anos.
Havia roubado a oportunidade de vivermos juntos tudo aquilo que prometemos.
Ele me abraçou com força.
â Eu perdi quatro anos da sua vida...
Segurei sua mĂŁo.
â VocĂȘ nĂŁo escolheu ficar inconsciente.
â Mas vocĂȘ ficou sozinha.
NĂŁo respondi.
Porque era verdade.
Eu havia enfrentado a doença, os pesadelos e o medo de perdĂȘ-lo sem saber se algum dia voltaria a ouvir sua voz.
Mas ele estava ali.
E, naquele instante, decidi que nĂŁo permitiria que o passado destruĂsse o pouco futuro que ainda tĂnhamos.
CAPĂTULO 8 â O ROSTO QUE A MORTE ESTAVA RECLAMANDO
Vamp insistiu em me levar a vårios médicos.
Fizemos exames.
Consultamos especialistas.
Tentamos tratamentos.
Mas ninguém conseguia explicar completamente o que estava acontecendo comigo.
A doença continuava avançando.
A marca escura cobria uma parte cada vez maior do meu rosto, deixando cicatrizes que alteravam minha aparĂȘncia.
Havia dias em que a dor era tĂŁo intensa que eu mal conseguia dormir.
Em outros, meu reflexo parecia pertencer a outra pessoa.
Uma noite, encontrei Vamp parado diante da porta do banheiro.
Ele havia me ouvido chorar.
â Lin, abra a porta.
â VĂĄ embora.
â NĂŁo.
â VocĂȘ nĂŁo entende! Eu nĂŁo quero que me veja assim!
Houve um longo silĂȘncio.
EntĂŁo ele respondeu:
â VocĂȘ acha que passei sĂ©culos procurando um motivo para continuar vivendo apenas para abandonar vocĂȘ quando as coisas ficassem difĂceis?
Abri a porta lentamente.
Ele estava com os olhos vermelhos, mas nĂŁo de fome.
Estava chorando.
â Eu tenho medo â confessei. â Tenho medo de que essa doença me transforme em alguma coisa que nem vocĂȘ consiga amar.
Vamp segurou minha mĂŁo.
â EntĂŁo vou amar vocĂȘ em todos os dias em que tiver medo.
Ele tocou delicadamente a parte saudĂĄvel do meu rosto.
â NĂŁo posso prometer que vou conseguir curar vocĂȘ. NĂŁo vou mentir dizendo que sei o que acontecerĂĄ amanhĂŁ. Mas posso prometer que nĂŁo vou tratar vocĂȘ como um monstro por causa da sua aparĂȘncia.
Desabei em seus braços.
Pela primeira vez, nĂŁo tentei esconder meu rosto.
Ele me abraçou sem hesitar.
E, naquele momento, percebi que o amor não era a capacidade de impedir todas as tragédias.
Era permanecer ao lado de alguém quando não existia uma solução fåcil.
Mas, naquela mesma noite, enquanto Vamp dormia, a marca em meu rosto brilhou por alguns segundos.
E ouvi novamente a voz da criatura.
â Ele nĂŁo poderĂĄ salvar vocĂȘ, Lin.
Olhei para a janela.
Do lado de fora, dois olhos vermelhos observavam a casa.
â Quando a Ășltima pĂ©tala da rosa negra cair, seu corpo pertencerĂĄ a nĂłs.
A figura sorriu.
â E seu amado descobrirĂĄ por que os humanos e os vampiros jamais deveriam ter unido seus destinos.
CAPĂTULO 9 â A PROMESSA DO LAGO
Decidimos abandonar a cidade.
NĂŁo querĂamos mais hospitais, olhares assustados ou pessoas que nos tratassem como se fĂŽssemos uma maldição.
Vamp encontrou uma pequena casa perto de um lago, escondida entre montanhas e ĂĄrvores antigas.
Era simples.
As paredes precisavam de reparos, o telhado tinha algumas goteiras e o jardim estava tomado pelo mato.
Mas, quando entrei pela primeira vez, senti uma paz que nĂŁo conhecia havia anos.
â Ă aqui? â perguntei.
Vamp colocou os braços ao meu redor.
â Se vocĂȘ quiser.
Olhei pela janela.
A luz do entardecer refletia na ĂĄgua, transformando o lago em uma superfĂcie dourada.
Pela primeira vez em muito tempo, consegui imaginar um futuro.
NĂŁo um futuro perfeito.
Apenas um futuro nosso.
Começamos a reconstruir a casa.
Ele consertava as paredes enquanto eu organizava os poucos objetos que possuĂamos. Plantamos rosas negras no jardim, e Vamp colocou duas cadeiras perto da janela para que pudĂ©ssemos observar a chuva juntos.
Ă noite, preparĂĄvamos o jantar e conversĂĄvamos sobre coisas pequenas.
Ăs vezes, eu acordava assustada.
Ele me abraçava.
Ăs vezes, era ele quem sonhava com a batalha.
Eu segurava sua mĂŁo.
E, pouco a pouco, começamos a recuperar os pedaços de nossas vidas.
Certa noite, sentados perto do lago, retirei meu colar.
â VocĂȘ ainda acredita que ele pode nos manter unidos?
Vamp observou as duas metades do pingente.
â Acredito que nĂłs escolhemos ficar unidos. O colar apenas guarda essa promessa.
Encostei minha cabeça no ombro dele.
â E se um dia eu nĂŁo estiver mais aqui?
Ele ficou em silĂȘncio por alguns segundos.
Depois segurou minha mĂŁo.
â EntĂŁo vou guardar tudo o que vivemos. Vou lembrar das suas risadas, das nossas brigas bobas e das vezes em que vocĂȘ roubava a coberta inteira.
Soltei uma risada entre lĂĄgrimas.
â Eu nĂŁo fazia isso!
â Fazia, sim.
Ficamos ali até o céu escurecer.
Naquela noite, nĂŁo fizemos promessas impossĂveis.
Apenas prometemos aproveitar o tempo que tĂnhamos.
Sem saber que o tempo jĂĄ estava preparando nossa despedida.
CAPĂTULO 10 â A ROSA NEGRA
Os meses passaram.
Nossa pequena casa tornou-se o Ășnico lugar do mundo onde eu conseguia respirar sem medo.
Mas a doença não desapareceu.
E a criatura também não.
Ăs vezes, eu encontrava pegadas ao redor da casa.
Outras vezes, ouvia alguém caminhando no sótão, embora soubesse que eståvamos sozinhos.
Uma manhĂŁ, encontrei uma rosa negra sobre a mesa.
Suas pétalas estavam cobertas por pequenas gotas vermelhas.
Vamp reconheceu a flor imediatamente.
Seu rosto perdeu a cor.
â Onde vocĂȘ encontrou isso?
â Estava aqui quando acordei.
Ele segurou a rosa com cuidado.
â Lin, precisamos conversar.
Pela primeira vez desde que saĂmos da cidade, senti novamente o medo daquela floresta.
â O que estĂĄ acontecendo?
Ele olhou para o meu colar.
â Essa rosa pertence a uma antiga maldição da minha famĂlia. Dizem que ela aparece quando um vĂnculo entre um vampiro e um humano ameaça romper as leis da morte.
â E o que isso significa?
Vamp nĂŁo respondeu imediatamente.
Apenas apertou o pingente entre os dedos.
â Significa que alguĂ©m estĂĄ tentando reivindicar vocĂȘ.
Naquela noite, trancamos todas as portas.
Ele ficou acordado ao meu lado, segurando minha mĂŁo.
Eu observei a rosa negra sobre a mesa.
Uma pétala caiu.
Depois outra.
E outra.
Quando a Ășltima pĂ©tala tocou o chĂŁo, todas as luzes da casa se apagaram.
Do lado de fora, alguém bateu à porta.
TrĂȘs vezes.
Vamp levantou-se imediatamente.
â Fique atrĂĄs de mim.
Uma voz feminina atravessou a madeira.
â Finalmente encontrei vocĂȘs.
Meu sangue gelou.
Era a voz da criatura que me perseguia desde o hospital.
â Entregue a garota, Vamp.
Ele mostrou as presas.
â Nunca.
A criatura riu.
â VocĂȘ ainda nĂŁo entendeu? NĂŁo vim buscar a garota.
Houve uma pausa.
EntĂŁo ela sussurrou:
â Vim buscar aquilo que restarĂĄ dela quando seu corpo morrer.
Olhei para minhas mĂŁos.
As marcas escuras começaram a brilhar.
E, pela primeira vez, senti alguma coisa dentro de mim responder Ă voz do monstro.
NĂŁo era dor.
Era fome.
Vamp segurou meu braço.
â Lin, olhe para mim.
Tentei responder, mas minha voz parecia vir de muito longe.
A criatura bateu Ă porta novamente.
E o colar em meu pescoço começou a se partir.
CONTINUA...
Na Parte III â A Casa Onde o Tempo Morreu: Lin descobrirĂĄ o verdadeiro segredo da doença, Vamp enfrentarĂĄ os monstros que perseguem sua famĂlia, e os dois farĂŁo uma promessa que mudarĂĄ o destino de suas almas para sempre.