Caraca achei bem profundo esse capítulo bateu lá na alma
AMOR E O QUE CONHECI
Capítulo 3 — A decepção
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Caraca achei bem profundo esse capítulo bateu lá na alma
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Capítulo 3 — A decepção
— Oi.
Foi só isso.
Uma palavra pequena demais para carregar tudo o que aconteceu dentro de mim naquele instante.
— Oi.
Eu tentei parecer normal.
Mas meu coração não sabia fingir tão bem quanto eu.
Ele começou a conversar comigo, e por alguns minutos eu esqueci todas as perguntas que tinha feito para mim mesma.
Esqueci o medo.
Esqueci a dúvida.
Esqueci até de tentar entender o que aquele olhar tinha significado.
Eu só queria aproveitar.
Porque, às vezes, quando alguém finalmente se aproxima, a gente esquece de perguntar se essa pessoa veio para ficar ou apenas para passar.
E eu esqueci.
Começamos a conversar.
Pouco.
Depois mais.
E, sem perceber, fui criando espaço para ele dentro de mim.
Um espaço que eu não tinha planejado oferecer.
Ele aparecia e meu dia ficava melhor.
Sumia e eu me perguntava por quê.
Mandava uma mensagem e eu sorria para a tela.
Demorava para responder e eu inventava desculpas para ele.
“Deve estar ocupado.”
“Talvez não tenha visto.”
“Talvez esteja cansado.”
Eu sempre encontrava uma explicação.
Menos a que mais doía.
Talvez ele simplesmente não estivesse tão interessado.
Mas eu não queria pensar nisso.
Era mais fácil acreditar nas possibilidades bonitas.
Porque esperança é confortável quando ainda não sabemos que ela vai nos decepcionar.
Comecei a reparar que eu prestava atenção em tudo.
No horário em que ele aparecia.
No jeito como escrevia.
Nas palavras que escolhia.
Nos momentos em que parecia querer ficar.
Eu colecionava pequenos sinais.
E transformava cada um deles em uma certeza.
Um sorriso significava alguma coisa.
Uma conversa longa significava alguma coisa.
Um olhar demorado significava alguma coisa.
Ou pelo menos era isso que eu precisava acreditar.
Até que comecei a perceber algumas coisas que eu não queria perceber.
Ele não era diferente comigo.
Era assim com outras pessoas também.
O jeito que eu achava especial talvez fosse apenas o jeito dele.
E aquilo doeu mais do que deveria.
Porque eu não estava com raiva dele.
Ele nunca tinha prometido nada.
Nunca disse que gostava de mim.
Nunca falou que queria ficar.
Nunca me pediu para esperar.
A única pessoa que tinha criado todas aquelas expectativas era eu.
E talvez essa fosse a pior parte.
Não poder culpá-lo pela decepção.
Porque como cobrar alguém por uma promessa que só existiu na nossa cabeça?
Comecei a me perguntar se eu tinha confundido gentileza com interesse.
Atenção com carinho.
Presença com vontade de ficar.
E quanto mais eu pensava, mais eu percebia que talvez tivesse criado uma história inteira a partir de alguns capítulos que nem sequer tinham sido escritos.
Eu queria que fosse recíproco.
Queria acreditar que aqueles momentos significavam para ele o mesmo que significavam para mim.
Mas algumas coisas começam a mudar antes mesmo de terminarem.
As conversas ficaram diferentes.
As respostas ficaram menores.
Os intervalos entre uma mensagem e outra ficaram maiores.
E eu comecei a sentir falta de alguém que ainda estava ali.
Talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de decepção.
Quando a pessoa não vai embora.
Ela apenas deixa de estar.
E você percebe aos poucos.
Sem anúncio.
Sem despedida.
Sem explicação.
Eu ainda sorria quando ele falava comigo.
Ainda fingia que estava tudo normal.
Mas alguma coisa dentro de mim já tinha entendido.
Eu não era prioridade.
Talvez nunca tivesse sido.
E admitir isso foi como perder alguma coisa que, na verdade, nunca tinha sido minha.
Naquela noite, eu fiquei olhando para nossas mensagens.
Passei os dedos pela tela.
Li coisas antigas.
Coisas que, dias antes, tinham me feito sorrir.
Agora pareciam diferentes.
Não porque as palavras tinham mudado.
Mas porque eu tinha mudado.
Eu finalmente estava enxergando aquilo sem a esperança no meio.
E foi doloroso.
Muito.
Porque eu percebi que passei tanto tempo tentando descobrir o que ele sentia que esqueci de perguntar o que eu estava sentindo.
Eu estava cansada.
Cansada de esperar.
Cansada de interpretar.
Cansada de transformar migalhas em banquetes só porque tinha fome de carinho.
E naquele momento eu entendi uma coisa que ninguém tinha me contado:
às vezes, a decepção não acontece quando alguém vai embora.
Acontece quando você percebe que a pessoa nunca esteve onde você imaginou.
Eu fechei o celular.
Respirei fundo.
E pela primeira vez, não esperei uma mensagem.
Não porque eu tivesse deixado de gostar.
Mas porque comecei a entender que gostar de alguém não deveria significar esquecer de gostar de mim.
Talvez aquilo ainda não fosse o fim.
Talvez ainda houvesse alguma coisa para acontecer.
Mas, naquele momento, uma pequena parte de mim já tinha desistido de esperar.
E eu ainda não sabia que aquela pequena parte seria a primeira a descobrir a verdade.
Thoughts
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PermalinkQuando você percebeu que não era recíproco, foi de uma vez ou aos poucos, tipo aquele jeito que ele foi sumindo?
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PermalinkEu me reconheci em umas partes específicas tbh. Tipo aquela de "cansada de transformar migalhas em banquetes".
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PermalinkTem gente que vira essas situações em coisa mais fácil de carregar. Esse texto foi pro lado oposto. Pesado demais.
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PermalinkDemais 💔
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PermalinkParece que você sentia tudo mas guardava dentro. Como se não quisesse decepcionar ninguém com o peso disso.
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PermalinkA descrição daqueles intervalos ficando maiores, respondendo menos... é bem exato. Gostei dessa parte.
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PermalinkLembrei de uma época donde eu ficava atribuindo significado em qualquer pequena coisa que o outro fazia. É tipo montar quebra-cabeça só que metade das peças você mesmo inventa.
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PermalinkA parte onde você inventa desculpas pra ele... eu faço a mesma coisa com coisas que nem importam tanto assim. Fica tipo uma automaticidade mesmo.
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PermalinkCaraca achei bem profundo esse capítulo bateu lá na alma
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PermalinkENTRE AMOR E O QUE CONHECI‼️
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