Para mim, tudo se resume ao amor.
A poesia, a literatura, a arte… tudo isso gira em torno dele, seja pela falta ou pelo excesso. Até as guerras são causadas pela falta de amor e de empatia, enquanto o sacrifício acaba sendo a forma mais pura de afeto que alguém pode demonstrar.
O amor é um ato de confiança. É belo, puro, corajoso e leve como uma pena. Mas, mesmo assim, às vezes ele pesa. O peso do amor depende muito de quem o carrega: pode ser um fardo leve para quem sabe amar, ou pesado demais para quem não sabe receber amor. Para alguns, é como uma faca no pescoço; para outros, é a força de cada dia. Às vezes ele é o motivo da nossa tristeza, outras vezes é a própria felicidade. Em todo caso, não acredito que haja alguma situação na vida que não seja sobre o amor — no fundo, absolutamente tudo se resume ao nosso coração e aos nossos desejos egoístas.
Nesse mundo, existem três tipos de pessoas.
O primeiro tipo tem aquele amor puro, bem parecido com o de uma criança: inocente e corajoso. É o tipo de amor impossível de ser destruído, porque a pessoa simplesmente só sabe amar. Esse, para mim, é o melhor tipo.
O segundo é o amor medroso. É o amor de quem já é mais velho, mais experiente, mas ainda não amadureceu o suficiente. É aquela pessoa que sabe exatamente o que vem junto com um coração entregue e, por isso, não tem coragem de amar de novo.
E o terceiro é o amor maduro, que costuma chegar mais perto do fim da vida. É o amor de quem sabe que amar dói, sim, mas compreende que a felicidade vem no mesmo pacote. É aquele tipo que, apesar de todas as dores do passado, sabe que não dá para viver sem seus amores. Esse terceiro é o meu sonho de consumo.
Existem tantas formas de amar e todas elas são lindas, mas uma coisa que a gente precisa engolir é que o amor em si não dói. O que dói é o coração entregue por meio dele. Quando você ama alguém, você entrega nas mãos do outro o seu bem mais precioso e frágil. Não dá para entregar o coração de forma leviana, sabendo que a mesma pessoa que o acolheu pode estar segurando uma faca com a outra mão.
Mas a verdade é que não tem como amar e ser amado sem se entregar. Amar é um ato de coragem pura. O segredo é escolher bem a pessoa que vai ser digna dessa entrega, porque o amor maduro não nasce das pancadas da vida; ele vem com as experiências boas e com a sabedoria.