Tudo é perda - Felipe Rodrigues.
"Se eu não tenho a Ti, não tenho nada
Nada eu serei sem Ti, Senhor
Só Tua presença é o que me basta
Eu Te levarei por onde eu for."
Essa música me atravessa de um jeito que poucas conseguem. Quando ouço “Se eu não tenho a Ti, não tenho nada”, não penso em possuir ou perder coisas materiais. Penso em tudo aquilo que já tive medo de perder: pessoas, lugares, vínculos, versões de mim mesma, certezas que um dia pareciam suficientes. E percebo que, quando tudo isso se desfaz, existe um vazio que nenhuma presença humana consegue preencher completamente.
Há algo profundamente doloroso e, ao mesmo tempo, sereno em reconhecer: eu posso amar pessoas, desejar sua permanência, sentir falta delas e ainda assim compreender que elas não são o meu fundamento. Pessoas podem partir. Podem mudar. Podem me decepcionar. Algumas podem simplesmente não conseguir permanecer. E eu também posso me perder de mim mesma. Mas, quando a música diz “só Tua presença é o que me basta”, sinto como se alguém colocasse a mão sobre o lugar mais inquieto da minha alma e dissesse: você não precisa encontrar em outro ser humano aquilo que somente Deus pode sustentar.
Talvez seja por isso que essa canção me emocione tanto. Ela não fala apenas de fé; fala de dependência, entrega e despojamento. É como admitir diante de Deus: “Eu tentei encontrar segurança em tantas coisas. Tentei encontrar meu valor no amor, na companhia, na aprovação, na permanência de alguém. Mas, quando tudo silencia, ainda preciso de Ti.”
E então vem a frase que mais me toca: “Eu Te levarei por onde eu for”. Porque minha fé não deveria existir somente quando estou dentro de uma igreja, ajoelhada, tranquila ou cercada de pessoas que acreditam como eu. Quero levar Deus comigo para os lugares onde ainda sou frágil, para os dias em que minha mente se confunde, para as noites em que o silêncio pesa, para as perdas que não consigo compreender e para os recomeços que ainda me assustam.
Quando escuto essa música, sinto que estou diante de Deus sem máscaras. Sem precisar parecer forte, resolvida ou espiritual. Apenas humana. E talvez essa seja a forma mais verdadeira de oração: reconhecer que posso ter muito ou quase nada, posso ser amada ou estar sozinha, posso entender ou não entender o caminho, mas ainda assim dizer: “Senhor, se eu tiver a Tua presença, não estou completamente sem nada.”
Porque, no fundo, o que essa música desperta em mim é uma vontade silenciosa de permanecer. Permanecer em Deus quando todo o resto parecer instável. E descobrir, pouco a pouco, que talvez a verdadeira paz não seja ter tudo aquilo que desejo, mas saber onde repousar quando aquilo que amo não está nas minhas mãos.