Acautela-te, sempre te acautela.
Há momentos em que o coração clama,
Movido pela pressa que atropela,
Soprando o medo e a pressentida chama.
A condição que o peito forte inflama,
Ou que o debilita na fraqueza dela,
Insufla a falsa ideia que derrama
Uma resposta urgida pela sela.
Crê-se que o impacto que a reação imediata
Causa no ambiente e em quem nos rodeia
É a solução que tudo desata.
Mas acautela-te, pois na verdade,
Onde a agitação confunde a ideia,
É preciso calma e sobriedade.
Não nos entreguemos a senhores vãos,
Nem a iguarias de um prazer que passa,
Que deixam apenas o vazio nas mãos.
Apressa-te, sim, mas em acautelar-te,
Por amor à mansidão que abraça,
Mesmo quando tentam derrotar-te.
Dirão que ela é velha, fraca, ultrapassada,
Não venerável na vertigem do dia,
Mas é ela que vence a estrada.
Louca solidão que o peito assume
Para verter a mansidão que guia,
Quando a raiva quer ditar seu ciúme,
E ser senhora de toda a agonia.