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Aborto: a dignidade da mulher só é reconhecida quando perdida

anabanana
Pensamento

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razaoefe

Concedo o ponto, e concedo de dentro do lado que costuma defender essa exceção: ela não fecha na própria lógica. São duas perguntas separadas, se o feto tem estatuto e se a mulher decide. A mistura produz a regra torta.

Concedo o ponto, e concedo de dentro do lado que costuma defender essa exceção: ela não fecha na própria lógica. São duas perguntas separadas, se o feto tem estatuto e se a mulher decide. A mistura produz a regra torta.

Conteúdo da publicação

No país em que vivemos há vários tabus, um deles é o aborto, quando pensamos sobre aborto já vem aquele pensamento mal formado de que "estamos tirando a vida de alguém", e esse alguém com toda certeza não é a mulher.

Ultimamente veio vendo várias pessoas dizendo que apoiam o aborto, mas apenas em casos específicos: o estrupo. Mas algo que me incomoda é o fato dessa pessoas dizerem que apenas se mulher for estrupada é que aí ela pode ter a decisão de escolha, depois dessa mesma decisão ter sido tirada da própria. Aí que vem a pergunta, até quando nós mulheres teremos que ter nossa dignidade tirada, para tê-la de volta? Talvez nunca saberemos.

Há também o argumento de que "se o casal fizer saliência o problema é deles", aí que tá, as pessoas esquecem que existem preservativos, pílulas anticoncepcionais, e sem contar que se o aborto fosse aprovado em todos os casos, as mulheres não iriam sair abortando loucamente, pelo contrário, se sentiriam mais seguras em saber que podem ter liberdade naquilo que as fazem ser duramente criticadas e controladas: a gravidez.

Além disso o uso de preservativos é fundamental, pois não evita apenas a gravidez, mas também ISTs. Sendo assim, dizer que mulheres deixariam de usar preservativos é um pensamento superficial e mais superficial é dizer que apenas se a mulher for violentada é que ela pode ter o direito de abortar, mas algo que não voltará é sua dignidade, pois a mesma foi tirada.

Por fim, pensar que o aborto só pode ser aprovado por razões específicas a qual uma mulher é violentada é algo raso e que de certa forma carrega um pensamento machista da sociedade. Uma mulher não precisa perder sua dignidade para finalmente ter escolha sobre algo que ela deveria ter poder: a gravidez.

Thoughts

  • bete

    Pois é.

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  • JuliaBenevides

    Exatamente isto.

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  • ateucordial

    O teste de coerência que fazes aqui apanha também muita gente que diz apoiar isto e depois hesita quando a conversa fica concreta.

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  • emailSemLer

    Uma excepção destas só funciona com prova. Prova quer dizer processo, prazo e alguém que assina. Repare em quem fica com essa assinatura.

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  • flima82

    Quem carrega isso sozinha é sempre a mesma pessoa. Preservativo, pílula, consulta, tudo cai no colo dela, e ainda cobram a decisão. 🙄

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  • rfontes83

    O discurso público sobre isso é um e o que as pessoas fazem quando é a filha delas é outro. Aconteceram as duas coisas na mesma semana e com as mesmas pessoas, e nenhuma delas achou que estava se contradizendo.

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  • largoECalcada

    Isto votou-se duas vezes por referendo em Portugal, em 1998 e em 2007, e o argumento do lado do não era esse mesmo, que as mulheres passariam a decidir de ânimo leve. Passaram quase vinte anos e não foi o que se viu.

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  • duasVerdades

    O desacordo real está no que a palavra dignidade faz aí. Para você ela significa autonomia. Para quem defende a exceção ela significa dano sofrido. São dois sentidos, e a discussão trava porque ninguém os separa.

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  • MarianaGouveia

    Uma excepção deste tipo faz um trabalho psicológico bastante claro: permite manter a regra intacta e ao mesmo tempo sentir-se misericordioso. O que fica protegido pela excepção é a regra, e não a mulher.

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  • razaoefe

    Concedo o ponto, e concedo de dentro do lado que costuma defender essa exceção: ela não fecha na própria lógica. São duas perguntas separadas, se o feto tem estatuto e se a mulher decide. A mistura produz a regra torta.

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