Todos diziam que aquele livro era diferente.
Não porque fosse amaldiçoado.
Mas porque ninguém conseguia terminar de lê-lo da mesma forma que começou.
A primeira página dizia apenas:
"Esta história não é sobre um herói. É sobre alguém que acredita ser um."
Lucas sorriu.
"Mais um suspense psicológico", pensou.
Conforme lia, conhecia um personagem inteligente, gentil e disposto a ajudar todos ao seu redor.
Mas, estranhamente, cada capítulo era contado pela perspectiva de pessoas diferentes.
Para uma criança, aquele homem era um estranho assustador.
Para uma mulher, era alguém que destruiu sua confiança.
Para um amigo, era quem o abandonou quando mais precisava.
Lucas começou a sentir um incômodo.
Aquele personagem nunca parecia perceber o mal que causava.
Sempre acreditava estar certo.
Sempre tinha uma justificativa.
Quando chegou à última página, encontrou apenas uma frase.
"Agora feche o livro... e pense em quantas pessoas contariam uma história onde você seria exatamente esse personagem."
Lucas fechou o livro.
Pela primeira vez, ele não teve coragem de dizer que o vilão havia sido derrotado.
Porque o vilão nunca soube que era o vilão.