A dor, a tristeza, o vazio…
Há dias em que adormecem,
recolhem-se aos cantos da alma,
como se, por um instante,
me concedessem a falsa calma.
Mas ela nunca vai embora.
É sombra que me acompanha,
silêncio que me devora,
uma presença estranha
que até nos dias felizes
à minha porta se demora.
E basta um breve tropeço,
uma fresta, um desalento,
para que tudo retorne
e me arraste, pouco a pouco,
para o fundo de mim mesma,
onde até respirar é tormento.
Estou cansada.
Cansada de sentir tanto,
de esconder atrás do riso
o que transborda em pranto,
de procurar algum abrigo
e só encontrar desencanto.
Às vezes, já não sei
como continuar aqui.
Há tanto tempo sobrevivo
que esqueci como é existir
sem que a dor me acompanhe,
sem ter de lutar para seguir.
E tudo o que eu queria
era um instante de trégua,
um lugar onde a alma repousasse,
onde o peito desafogasse,
onde a vida, por um momento,
não doesse tanto assim.
Não peço que o mundo pare,
nem que compreenda minha dor.
Só queria encontrar silêncio
sem precisar me perder,
descansar sem desaparecer,
e descobrir, em algum lugar,
que ainda é possível viver
sem ter de aprender a suportar
tudo aquilo que me faz desabar.