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A serviço de Deus eu enlouqueci

talvezamanha

Conteúdo da publicação

Esses malditos me ignoram

Sempre te escuto

Mas as vezes me arrependo

O meu suor não vai valer o seu lamento

Como é falho todo o seu pensamento

E eu adoro ver que você nunca tem um argumento

Eu sinto muito, mas eu nunca vou brigar

Eu cansei de escutar, mas eu nunca vou falar

Eu absorvo (infelizmente)

Na minha criança interior isso criou traumas permanentes

Eu não choro

Eu não reclamo

Eu não falo

Eu não me exponho

Eu nem sinto mais os meus próprios sentimentos

E no final a culpa é minha que nasci errado

A culpa é minha que carrego esse fardo

Eu sinto muito, por ser esse erro

Mas fica tranquilo que eu nunca vou chorar no seu enterro

Eu sou um lixo de humano

Que tô em busca do amor

Mas não dos outros

De mim mesmo

Algo que a humanidade me tirou

Eu nasci máquina

A melhor de todas

Mas não souberam lubrificar

Agora eu tô corroendo e ninguém levanta um dedo pra tentar me ajudar

Eu sou o diabo que veste prata

Eu sou o padre que veste preto

Eu sou o pássaro branco que canta durante o enterro

Eu sou o jarro que nunca parou de jorrar

Eu sou a vagem que escuta um monte de elogio mas nem sente que pertence lá

Todos me largaram

Eu me larguei também

Andrade, vô, eu os prometo

Um dia eu vou ser alguém

O rancor que eu sinto é inexistente

A fratura exposta?

Isso sim é permanente

Neide, me desculpa, mas dessa vez eu não vou me acalmar

Pelo menos no escuro, no meu quarto, sozinho, eu quero poder me expressar

Thoughts

  • rmoraes52

    O título fala em Deus e o texto vai juntando padre, diabo, enterro e a promessa pro vô. Soa mais como oração de briga do que como queixa, dessas rezadas de punho fechado.

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  • Chemysky

    O poema inteiro, citando especificamente o título e a estrofe "Eu nasci máquina; A melhor de todas; porém não souberam lubrificar; Agora eu to corroendo e não levantam um dedo pra me ajudar" Parece uma súplica ou uma espécie de bode expiatório — como se a responsabilidade e a amargura, o sentimento de culpa e a decepção tivessem a necessidade de sair, o título cita Deus, como se a culpa fosse dele, cita também pessoas e necessita que essas palavras sejam direcionadas a alguém, e no final do texto elas voltam para o autor. Esse poema remete a frustração e a angústia de ter que existir em um mundo que não liga pra sua existência, remete também a vontade de lutar e continuar vivendo mesmo com o fardo que o autor carrega. Por fim, um texto que expressa bem sentimentos e liga diretamente o leitor ao autor de uma forma frustrante, gostei.

    Permalink
  • Zezinho

    A sequência do eu sou, do diabo de prata até o pássaro branco no enterro, tem cara de música. Dá pra ouvir alguém cantando alto no quarto.

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