Esses malditos me ignoram
Sempre te escuto
Mas as vezes me arrependo
O meu suor não vai valer o seu lamento
Como é falho todo o seu pensamento
E eu adoro ver que você nunca tem um argumento
Eu sinto muito, mas eu nunca vou brigar
Eu cansei de escutar, mas eu nunca vou falar
Eu absorvo (infelizmente)
Na minha criança interior isso criou traumas permanentes
Eu não choro
Eu não reclamo
Eu não falo
Eu não me exponho
Eu nem sinto mais os meus próprios sentimentos
E no final a culpa é minha que nasci errado
A culpa é minha que carrego esse fardo
Eu sinto muito, por ser esse erro
Mas fica tranquilo que eu nunca vou chorar no seu enterro
Eu sou um lixo de humano
Que tô em busca do amor
Mas não dos outros
De mim mesmo
Algo que a humanidade me tirou
Eu nasci máquina
A melhor de todas
Mas não souberam lubrificar
Agora eu tô corroendo e ninguém levanta um dedo pra tentar me ajudar
Eu sou o diabo que veste prata
Eu sou o padre que veste preto
Eu sou o pássaro branco que canta durante o enterro
Eu sou o jarro que nunca parou de jorrar
Eu sou a vagem que escuta um monte de elogio mas nem sente que pertence lá
Todos me largaram
Eu me larguei também
Andrade, vô, eu os prometo
Um dia eu vou ser alguém
O rancor que eu sinto é inexistente
A fratura exposta?
Isso sim é permanente
Neide, me desculpa, mas dessa vez eu não vou me acalmar
Pelo menos no escuro, no meu quarto, sozinho, eu quero poder me expressar