Abri os olhos nessa manhã e uma foto mudaria meu dia.
Mamãe me envia frutas pelo celular:
— A safra chegou por aqui!!!
Olhei para a foto.
Pensei por muitos minutos sem conseguir lembrar o nome daquela fruta que saboreei por tantos anos no interior de Minas.
Goiaba.
Mas talvez — e era exatamente o que eu temia — aquilo fosse um sintoma que aprendi a reconhecer. Era preciso fazer alguma coisa, e rápido, na tentativa de abortar a dor que estava por chegar.
Enxaqueca.
Temida. Desaforada.
Daquelas que arrombam a minha dignidade.
Perco a memória, a fala e, principalmente, a capacidade de cuidar do meu próprio corpo.
Hoje fiz diferente.
Transformei a iminência da dor em letras, com a esperança de um dia receber uma notícia:
— A cura da enxaqueca foi descoberta!!!
E, quem sabe, logo abaixo esteja escrito:
Foi provado que, quanto mais você simbolizar por meio daquilo que ama fazer, mais perto da cura chegará.