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A princesa lincy

EdsonDias

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Era uma vez uma princesa que se chamava Lincy. Ela era linda: tinha cabelos loiros e ondulados, e seus olhos eram verdes. Era a cópia mais nova de sua mãe. Ela morava em um lugar chamado Zulrak, muito bonito, cheio de animais lindos, flores, muitas florestas e tudo de bom. Era muito feliz em seu belo castelo com seus pais, Hank e Lilian. Eles sempre a amavam muito, pois ela veio de uma gravidez bastante complicada — sua mãe sempre teve dificuldade para engravidar —, por isso faziam de tudo por ela.

Os anos se passaram. Lincy foi crescendo e, aos 17 anos, apaixonou-se por um cavaleiro que agora trabalhava para seu pai. Lincy, sem ao menos saber o nome daquele homem, sentiu algo que nunca tinha experimentado antes: um frio na barriga, uma sensação estranha, como se um monte de borboletas estivesse voando em seu estômago.

Lincy gostou tanto do cavaleiro que procurou saber mais sobre ele com seu pai. Ao vê-lo, logo perguntou:

— Pai, como se chama aquele cavaleiro? Quantos anos ele tem?

Seu pai perguntou o porquê de tais perguntas, sendo que ela nunca tinha ligado para os outros cavaleiros que estiveram lá antes. Lincy, envergonhada e desconfiada, disse que era apenas curiosidade. Saiu da sala onde estava com o pai e foi ao jardim ler livros — o que sempre fazia desde os 6 anos. Sentou-se na grama e leu um de seus tantos livros, mas sem parar de pensar naquele cavaleiro que tinha visto há pouco.

Depois de um tempo, o novo cavaleiro chegou ao jardim e falou:

— Bom dia, princesa Lincy. Vejo que gosta de ler. Sempre tem o costume de ler em seu jardim?

Lincy, que antes estava deitada, levantou-se em uma velocidade tão grande que até ela se admirou. Logo após se levantar com pressa, respondeu:

— Bom dia! Sim, eu gosto de ler livros, sempre venho aqui.

Aquelas poucas palavras foram como falar em outra língua para a princesa, pois estava muito envergonhada. Logo o cavaleiro percebeu sua timidez e, com toda a calma, disse:

— Não fique envergonhada, princesa. Sou apenas um simples cavaleiro.

A princesa negou, disse que não estava envergonhada e que aquele era apenas o jeito dela. Para mudar de assunto e querendo saber um pouco sobre ele, perguntou:

— Então, como se chama?

Ele logo respondeu:

— Perdão por não me apresentar antes. Me chamo Jack.

A princesa elogiou o nome dele, e Jack também elogiou o nome de Lincy. Sem que os dois percebessem, acabaram passando horas conversando ali. Lincy soube que Jack tinha 19 anos e ainda era jovem, mas sabia que seus pais não gostariam de ver a filha apaixonada por um cavaleiro. Triste com isso, disse a Jack:

— Tenho que ir.

Pegou seu livro bem depressa e foi embora. Logo após a saída de Lincy, Jack disse em voz alta, de um jeito que só ele pudesse escutar:

— Como ela é linda... Se eu ao menos tivesse uma chance. Mas sou apenas um cavaleiro.

Ele passou horas ali no jardim, pois a única função que o rei lhe dera era proteger sua filha. A noite logo chegou, e Jack, triste, foi para o quarto que o rei Hank mandara separar para ele, assim como fazia com todos os cavaleiros. Jack não conseguia dormir, e a princesa estava do mesmo jeito, ambos pensando no amor que o rei e a rainha não permitiriam.

Amanheceu, e a princesa arrumou-se para tomar o café da manhã, mas não estava com vontade de comer, mesmo com tanta fartura à mesa. Hank notou que Lincy não queria comer e perguntou o motivo. Lincy respondeu que estava sem apetite e que comeria apenas uma maçã. Pegou a fruta, pediu licença aos pais para se retirar e foi para o jardim. Lincy sabia que estava sem fome porque quem ela tanto amava não poderia ficar com ela.

Após alguns minutos ali sozinha, Jack chegou e lhe deu bom-dia. A princesa retribuiu com um sorriso tão lindo e feliz que Jack ficou ainda mais encantado.

Lincy e Jack novamente conversaram a manhã e a tarde toda. Isso foi virando um costume: eles iam ao jardim todos os dias para conversar. Oito meses se passaram e, em uma dessas conversas, Jack tomou coragem para fazer seu primeiro elogio a Lincy. Ele respirou fundo e elogiou os cabelos loiros e ondulados dela, dizendo que eram lindos e brilhavam tanto quanto o sol. Lincy, envergonhada, agradeceu e disse que achava os olhos azuis de Jack muito bonitos. Logo após o elogio, Jack aproximou-se de Lincy, ela também se aproximou dele, e eles deram o primeiro beijo.

Depois do beijo, Lincy falou que aquilo era errado e que seus pais não aceitariam. Jack disse que sabia disso, mas que seria capaz de fugir com ela se os reis realmente não aceitassem. Lincy, confusa, disse que era muito arriscado, que não queria deixar seus pais nem o reino, e avisou que precisava ir. Jack pediu para ela pensar bem no que ele tinha dito. Lincy apenas saiu sem dizer mais nada. Chegou a hora de dormir e ela pensou tanto naquilo que ficou cansada e adormeceu; o mesmo aconteceu com Jack.

No dia seguinte, Lincy se arrumou e nem comeu. Seus pais perguntaram por que não havia comido, mas ela só disse que estava sem fome. Seus pais, sempre ocupados demais para ver o que a filha fazia, apenas assentiram com a cabeça.

Lincy foi ao jardim e, desta vez, Jack já estava lá. Ao ouvir os passos dela, ele perguntou se já tinha pensado no assunto. Lincy sentou-se ao lado dele e disse que não. Jack falou que não aguentava mais aquela situação, e Lincy confessou que também não aguentava mais amar às escondidas. Eles ficaram cinco minutos calados, até que Lincy quebrou o silêncio pedindo para ele esperar até o ano seguinte, pois até lá estaria mais decidida.

Jack disse que era muito tempo, mas Lincy explicou que faria 18 anos e seria mais fácil tomar uma decisão. Jack concordou. Lincy percebeu que estava ficando tarde e disse que precisava ir. Jack também saiu logo depois para que ninguém desconfiasse.

E assim, Jack e Lincy se amaram às escondidas até o dia que mudaria a vida dos dois. Lincy completou 18 anos, e Hank lhe disse que naquele dia, em seu aniversário, ela conheceria seu futuro esposo. Lincy ficou frustrada, mas não podia fazer nada: eram os pais que escolhiam com quem a filha devia se casar, e ela havia se esquecido disso. Lincy disse que não era o momento e tentou enrolar o pai com conversas fiadas, mas Hank disse que já estava decidido e que ela deveria agradecer, pois o rapaz com quem se casaria também era um príncipe, o que a deixaria ainda mais rica. O pai também mencionou que ela seria a rainha do reino em breve, pois eles já estavam velhos.

Lincy ficou muito triste, pois não queria deixar Jack. Foi ao jardim e esperou por ele. Não demorou muito para que ele chegasse. Ela só esperou ele se sentar para contar tudo, mas, antes que falasse algo, Jack lhe desejou feliz aniversário e fez um poema lindo, sem saber o que estava por vir. Depois do poema, Lincy agradeceu e contou o que tinha acontecido. Os dois se abraçaram, choraram e deram um beijo de despedida.

Lincy saiu do jardim. Às sete horas da noite, conheceu o príncipe Ronny e os pais dele, James e Kessy. Eles estavam em um jantar na casa de Lincy, mas ela só conseguia pensar em Jack. Os pais conversavam sobre o casamento enquanto Ronny tentava conquistá-la, mas o coração da princesa só dava atenção a Jack.

Chegou o dia do casamento, um dia após Lincy completar 18 anos. Seu pai lhe deu um vestido lindo, mas ela não ligava para vestido nenhum: só queria Jack, seu primeiro amor. Lincy arrumou-se toda e desceu para onde a cerimônia aconteceria. Na hora de colocar as alianças, Jack estava em um canto observando tudo. Lincy sabia que ele estava ali. No momento em que Ronny ia colocar a aliança no dedo dela, ela correu até Jack e disse aos pais que o cavaleiro era o seu verdadeiro amor. Seus pais e os pais de Ronny ficaram sem palavras. Todos ficaram em silêncio por dois minutos que pareciam uma eternidade.

Até que o Sr. Hank falou que aquilo não poderia acontecer, pois já estava tudo decidido. Lincy respondeu que ela e Jack sempre se amaram e que não havia nada que alguém pudesse fazer para impedir. A mãe de Lincy e os pais de Ronny continuavam calados, sem coragem de dizer nada. Lincy declarou que não voltaria até que seus pais aceitassem seu casamento com Jack. Logo após, pegou a mão do amado e correu com ele para fora do castelo.

Jack pegou o primeiro cavalo que viu pela frente e fugiu com Lincy. Hank mandou todos os cavaleiros irem atrás deles. Jack e Lincy se esconderam em um lugar onde ele costumava ir quando criança. Lá, ficaram por uma semana sem que os cavaleiros os encontrassem.

Seus pais se sentiam culpados por tudo aquilo. Hank, já cansado da situação, disse à esposa que iria atrás deles. Falou para si mesmo que, se encontrasse a filha, deixaria que se casasse com Jack. Na tarde daquele mesmo dia, ele encontrou Jack e Lincy em um riacho. Eles perceberam que Hank os tinha visto e saíram da água prontos para correr, mas, antes disso, o rei gritou pedindo para que parassem. Assustados, eles pararam. Lincy perguntou o que ele queria, e Hank respondeu:

— Eu só quero a minha filha de volta.

Jack falou:

— Não adianta ela voltar e não ser feliz por se casar com quem não ama.

Hank explicou:

— É sobre isso que quero falar. Eu deixarei Lincy se casar com quem ela quiser, pois eu e Lilian só queremos nossa filha de volta.

Lincy e Jack ficaram extremamente felizes com a notícia e voltaram ao castelo. Assim que viu Lincy e Hank, a mãe começou a chorar de alegria. Hank contou toda a situação para Lilian e, dias depois, como prometido, o casamento aconteceu.

Dois anos depois, Lincy e Jack tiveram um filho chamado Jhon. Ele tinha olhos azuis iguais aos de Jack e cabelos loiros e ondulados iguais aos de Lincy.

Um dia, os pais de Lincy resolveram sair, e ela seguiu sua vida normalmente, pois não sabia o que iria acontecer. As horas se passaram, e Lincy ficou preocupada com os pais. Mandou Jack procurá-los, pois estava ocupada com o bebê e só Jack sabia a trilha onde eles estavam. Depois de um tempo, Jack encontrou o rei e a rainha mortos, com marcas de mordidas e arranhões. Tudo indicava que eles haviam sido atacados por um lobo. Até aquele momento, ninguém sabia de onde o animal tinha vindo.

Jack levou imediatamente os corpos para o castelo e contou tudo a Lincy, que ficou arrasada.

O velório aconteceu, e Lincy e Jack se tornaram rei e rainha. Jhon, com apenas 5 meses, perdeu os avós, mas cresceu em uma família cheia de amor. Ele foi crescendo e, aos 8 anos, seus pais lhe contaram toda a história. Jhon ficou triste pela morte dos avós, mas feliz por seus pais terem conseguido ficar juntos. E assim, eles viveram felizes para sempre.

Sobre o autor

Autor: Edson Dias

Idade: 15 anos

Início da escrita: 19 de setembro de 2026, entre 19h40 e

20h.

Término da escrita: 20 de setembro de 2026, às 17h05.

Obra: Minha primeira história.

Thoughts

  • luluca

    Égua, o lobo que aparece do nada bem no fim me deixou desconfiada. Meu palpite é que alguém soltou esse bicho na trilha. Vai postar a continuação da história do lobo?

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  • Ovid

    Uma primeira história que vai do primeiro frio na barriga até o neto ouvindo tudo aos 8 anos, com casamento interrompido, fuga a cavalo e um lobo no meio! Aposto que às 19h40 do dia 19 você não imaginava que ia terminar só no dia seguinte. Me lembra como conto de princesa sempre guarda um susto pro final. Bem-vindo ao Seavien :)

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  • Petronilha

    Uai, nessa história o castelo troca de dono num piscar: o rei e a rainha morrem na trilha, Lincy e Jack viram reis e o menino Jhon só fica sabendo de tudo com 8 anos. Nos romances de família é assim, sempre tem alguém contando a história pro neto. Aposto que o Jhon ainda vai querer saber de onde veio aquele lobo.

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