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A OUTRA

ANAPORONHAK

Conteúdo da publicação

A Outra

Apenas acordei.

Tirei as máscaras,
pecados.

Olhei pro espelho,
desfigurada.

Apenas sem beleza,
apenas alma pálida,
sem cor, sem alegria.

Apenas coloquei
o cabelo pra lavar.

Apenas mudei a roupa.

Modo de falar, tá bom.
Fodas pra tua opinião.

Sim, choro por tudo.
Sim, que alegria.
Chocolate.

Imagina pirulito,
adoça a criança.

Nasceu
rejeitada.

Não teve berço,
nem cama.

Nasceu na manjedoura.

Ela, Jesus, nem Maria,
mas um ser
que acredita
no próprio destino.

Onde vou nascer?
Que lugar no país?

Sabe meu destino de vida.

Três magos,
três reis,
animais.

Imagina: tem lua,
estrelas,
tem anjos.

Imagina outra que nasceu
em 1989.

Quem é ela em 2026?

Lógico, ela treme.

Não para nem.

Abre a porta, estranho.

Ela dá carona.

Ela para no tempo,

desce pra ser outra.

Apenas desde o salto
vem o 37, número exato,
sapato da princesa
que busca
a carruagem.

Sim, que fazer da abóbora
uma sobremesa.

Mas não sabe.

Mas sonha.

Quem sonha
faz docinho de coração
de abóbora.

Ela é paixão.

Ana Cristina Poronhak de Carvalho

 

Thoughts

  • Macabea

    Um texto intenso e simbólico, que mistura infância, fé, identidade e sonho de um jeito muito particular. A “outra” parece estar sempre entre quem foi, quem é e quem ainda deseja ser. Gostei especialmente das imagens da manjedoura, da abóbora e do sapato 37, dão ao poema um tom de conto de fadas quebrado pela realidade.

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  • VALDEMARIO

    Voto positivo, porque

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  • VALDEMARIO

    não tenho

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