Eu sou a mulher que aprendeu a ser forte
mesmo quando tudo dentro dela pedia colo.
Aprendi a levantar cedo,
a cuidar dos meus,
a trabalhar,
a resolver problemas,
a ser mãe, esposa, filha,
e tantas outras versões de mim
que às vezes até esqueço
quem eu sou quando ninguém precisa de nada.
Eu já chorei escondida
para não preocupar quem dependia de mim.
Já sorri cansada,
disse “está tudo bem”
quando por dentro
eu só queria que alguém percebesse
que não estava.
Carrego sonhos que ainda não consegui realizar,
uma casa que ainda está sendo construída,
uma vida que ainda estou tentando organizar
e um coração que, apesar de tudo,
continua acreditando no amor.
Eu não sou perfeita.
Tenho medo.
Tenho inseguranças.
Penso demais.
Às vezes desconfio até daquilo
que gostaria desesperadamente de acreditar.
Mas sabe o que mais dói?
É não saber se a minha insegurança
nasceu dentro de mim
ou se alguém plantou nela
razões para existir.
Porque eu não quero viver desconfiando
de quem escolhi para dividir a vida.
Eu quero paz.
Quero chegar em casa
e sentir que estou segura.
Quero olhar para quem amo
sem procurar respostas nos olhos dele.
Quero acreditar sem precisar investigar.
Quero amar sem sentir
que estou sendo feita de boba.
Eu já tenho batalhas demais.
Não quero transformar meu casamento
em mais uma guerra que preciso vencer.
Quero um amor que seja abrigo,
não mais uma coisa
da qual eu precise me proteger.
E se um dia você olhar para mim
e enxergar apenas a mulher cansada,
talvez esteja esquecendo
tudo o que existe por trás desse cansaço.
Existe uma mulher que lutou muito.
Uma mulher que caiu e levantou.
Que teve medo e continuou.
Que mesmo machucada
continuou cuidando de todo mundo.
E existe também uma mulher
que ama profundamente.
Talvez seja essa a minha maior fraqueza
e, ao mesmo tempo,
a minha maior força.
Porque quando eu amo,
eu me entrego de verdade.
Mas não confunda meu amor
com aceitação de qualquer coisa.
Eu posso perdoar.
Posso tentar reconstruir.
Posso recomeçar.
Mas não consigo viver
onde preciso implorar por sinceridade.
Eu não quero descobrir que amei sozinha.
Quero olhar para trás um dia
e ter certeza de que,
mesmo nos dias difíceis,
nós dois escolhemos um ao outro.
Porque eu não estou pedindo um amor perfeito.
Estou pedindo um amor verdadeiro.
E se algum dia eu precisar escolher
entre perder alguém que amo
e perder a mim mesma tentando fazê-lo ficar,
dessa vez, eu escolho a mulher que levou uma vida inteira para aprender a não desistir de si.