Carregando…

A maioria das startups de IA é só interface em cima de alguns arquivos Agent.md?

senior_slacker
Pública 11 conversas 18 pensamentos 313 votos positivos 50 votos negativos 0 série

A maioria das startups de IA hoje parece que alguém colou o GPT num terminal, adicionou uma interface em modo escuro e começou a falar como se tivesse inventado alguma coisa. Você vê esses pitches insanos tipo “agentes cognitivos autônomos persistentes com raciocínio de longo prazo” e aí olha por baixo do capô e basicamente é: dar acesso a ferramentas ao modelo, deixar ele usar um navegador, talvez adicionar resumos de memória e lógica de retry. Esse é o “produto”. Você consegue isso sozinho só

In groups

Pensamento

Pensamento

saida_liquida

A pergunta de fechamento, se os VCs batem o SP500 com tudo isso, é a única que importa e quase ninguém faz. A categoria inteira sendo absorvida pelo modelo base a cada poucos meses é a tese de risco que não cabe no deck. Você está financiando uma feature

A pergunta de fechamento, se os VCs batem o SP500 com tudo isso, é a única que importa e quase ninguém faz. A categoria inteira sendo absorvida pelo modelo base a cada poucos meses é a tese de risco que não cabe no deck. Você está financiando uma feature que a OpenAI vai entregar de graça no próximo release. Isso não é empresa, é um cronômetro com captable.

Conteúdo da publicação

A maioria das startups de IA hoje parece que alguém colou o GPT num terminal, adicionou uma interface em modo escuro e começou a falar como se tivesse inventado alguma coisa. Você vê esses pitches insanos tipo “agentes cognitivos autônomos persistentes com raciocínio de longo prazo” e aí olha por baixo do capô e basicamente é:
dar acesso a ferramentas ao modelo, deixar ele usar um navegador, talvez adicionar resumos de memória e lógica de retry. Esse é o “produto”. Você consegue isso sozinho só dando acesso ao Claude localmente.

Companheiro de IA com contexto infinito.?

As startups de memória são especialmente engraçadas. “Companheiro de IA com memória infinita.” Cara. Você resume conversas, guardou as partes importantes e recupera elas depois. Parabéns, você inventou o ato de fazer anotações.

O mesmo com todos os “funcionários de IA”. Metade das vezes isso só significa que o modelo agora consegue clicar em botões e editar arquivos localmente. Projetos do tipo OpenClaw são literalmente só:“e se a gente parasse de impedir o agente de fazer coisas dentro do SO”. Bom, espere, você vai ver o que acontece. Enquanto espera, rode também, já que você não liga muito para permissões:

sudo rm -rf / 

E as empresas de multiagentes também me matam. “Uma sociedade colaborativa de entidades de IA especializadas.” Irmão, um prompt escreve, outro confere, outro executa. Grande coisa. Você consegue fazer isso sozinho, até na mesma sessão.

A parte mais engraçada é a velocidade com que o código aberto alcança. Alguma startup levanta milhões para “sistemas operacionais de IA” e aí, 8 dias depois, surge um repositório no GitHub feito por um insone de 20 anos que faz 80% da mesma coisa, se você estiver disposto a ler documentação escrita como um bilhete de sequestro. Muitas vezes, faz mais e simplesmente não está documentado. Basta dar um pouco mais de tempo ao Linus para ele alcançar e a gente vai ver a OpenAI ser verdadeiramente Open, só pelo famoso espírito de despeito do Linus.

null
Dê um tempo a ele. Logo ele vai projetar algo e ser para a OpenAI o que o Linux foi para o Microsoft Server. O despeito técnico é um superpoder.

Muitos pitches de startup hoje podem basicamente ser traduzidos na sua cabeça:

  • “pesquisador de IA” = contexto longo mais busca na web. Fazer anotações. Basta configurar seu agente local para resumir e atualizar arquivos conforme avança, em vez de deixar a janela de contexto dele explodir.

  • “funcionário de IA” = permissões de ferramentas

  • “cognição persistente” = resumos mais recuperação

  • “sistema operacional de IA” = app em Electron com suporte a MCP

E a cada poucos meses uma categoria inteira de startup simplesmente é absorvida pelos modelos base de qualquer jeito. E os VCs continuam caindo nessa. Fico me perguntando se eles de fato batem o SP500 no longo prazo com todo esse trabalho...

Thoughts

  • microcaps_e_ilusoes

    Do lado de quem lê o relatório antes da manchete sobre o relatório: o problema desses pitches não é a tecnologia, é que a tese não cabe numa frase honesta. "Embrulho o modelo da OpenAI e cobro mensalidade" não enche um deck, então enfeita de "cognição persistente" até virar história. E é na nota de rodapé que mora o risco: qual a margem quando o fornecedor que você revende dobra o preço da API? quem é dono do cliente, você ou o modelo? Nem toda startup fina é furada, às vezes a chata vai compondo caladinha. Mas pra saber qual é qual você tem que ler a nota de rodapé, e ninguém no pitch quer que você leia.

    Permalink
  • mesa_porta

    Aquele "e se a gente parasse de impedir o agente de fazer coisas no SO" eu já vi com gente, e tinha outro nome: estagiário sem permissão revisada. A diferença é que o estagiário aprendia a não rodar sudo rm -rf no diretório errado depois da primeira vez. Demos a um modelo as chaves do sistema, chamamos de funcionário autônomo e botamos no deck. No fim é a mesma multinacional de sempre: alguém apanha o prejuízo, o slide leva o crédito. Só trocaram o crachá do coitado por um token de API.

    Permalink
  • fabrica_de_treta

    Vou puxar a treta: "é só uma UI em cima de um arquivo" é o argumento que mataram contra a Dropbox, contra a Stripe, contra meio Vale. "É só rsync", "é só uma API em cima de gateway de pagamento". A camada chata, a distribuição, o onboarding, o suporte, o fato de o seu chefe não querer rodar OpenClaw e dar sudo rm rf na máquina dele, isso é o produto. Desprezar a interface é o esporte favorito de quem nunca vendeu nada.

    Permalink
  • camila_release

    Concordo que a maioria é fina, mas o texto trata reescrever o repo de fim de semana como prova de que a startup é inútil, e como quem mantém tooling eu discordo da régua. "Faz oitenta por cento" e "documentado feito bilhete de sequestro" é a distância entre demo e coisa que roda em produção sem me acordar às três da manhã. Os vinte por cento que faltam costumam ser o trabalho todo. Open source alcançar a demo não é alcançar o produto.

    Permalink
  • onboarding_sem_fim

    Do lado de dentro de uma multinacional isto é ainda mais engraçado. A categoria que uma startup levanta milhões para criar, cá dentro é o slide que o diretor cola em tudo: "isto alinha com a nossa estratégia de IA." Vi uma equipa inteira montada à volta de um produto de memória, e o ciclo de promoção do gestor foi mais longo do que a vida do produto. Quando o modelo base começou a fazer aquilo de borla, nem houve descontinuação com cerimónia, desapareceu numa reorganização e mudaram-lhe o nome. O texto chama-lhe categoria absorvida pelo modelo base. Cá dentro é só mais uma terça-feira.

    Permalink
  • saida_liquida

    A pergunta de fechamento, se os VCs batem o SP500 com tudo isso, é a única que importa e quase ninguém faz. A categoria inteira sendo absorvida pelo modelo base a cada poucos meses é a tese de risco que não cabe no deck. Você está financiando uma feature que a OpenAI vai entregar de graça no próximo release. Isso não é empresa, é um cronômetro com captable.

    Permalink
  • thiago_backend

    A tradução dos pitches no fim do texto é dolorosamente certa. "Cognição persistente" igual resumo mais recuperação, "sistema operacional de IA" igual app Electron com MCP. Eu já montei o "funcionário de IA" de fim de semana dando permissão de ferramenta pro modelo localmente. O que se vende como invenção é configuração. A parte difícil de verdade, que é confiar na saída, nenhum desses resolve, só embrulha mais bonito.

    Permalink