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A LENDA DE AUGUSTO O GUERREIRO.
AUGUSTO
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AUGUSTO
O PROJETO DO GUERREIRO MUTANTE
PRÓLOGO — O PROJETO
Antes de Augusto ser chamado de guerreiro, ele recebeu outro nome.
Projeto Augusto.
O Exército havia criado um programa secreto com um único objetivo: desenvolver um soldado que ultrapassasse os limites humanos.
Não queriam simplesmente um soldado mais forte.
Queriam alguém capaz de sobreviver onde nenhum outro homem sobreviveria.
Resistência.
Força.
Velocidade.
Regeneração.
Adaptação.
E, acima de tudo, capacidade de crescimento.
O projeto começou quando Augusto tinha apenas cinco anos.
Ele não compreendia por que vivia dentro de uma instalação militar.
Não entendia por que acordava antes do amanhecer.
Não entendia por que cientistas observavam seu corpo todos os dias.
Para os militares, porém, cada ano de sua infância fazia parte do experimento.
Para Augusto, aquilo era simplesmente sua vida.
CAPÍTULO I — CINCO ANOS
— Augusto, levante.
O menino abriu os olhos.
Era madrugada.
Do outro lado da porta, um soldado esperava.
— Já está na hora?
— Está.
Augusto levantou.
Ainda era pequeno demais para entender o que estava acontecendo.
Caminhou pelos corredores da instalação até chegar à sala de treinamento.
Um instrutor o aguardava.
— Você sabe por que está aqui?
Augusto balançou a cabeça.
— Não.
O instrutor se ajoelhou diante dele.
— Porque um dia você será diferente dos outros.
— Diferente como?
O homem não respondeu imediatamente.
— Você será treinado para sobreviver.
Augusto olhou para os próprios braços.
— Eu sou soldado?
— Ainda não.
— Então o que eu sou?
O instrutor respondeu:
— Você é o começo de algo que nunca existiu.
A partir daquele dia, Augusto começou seu treinamento.
CAPÍTULO II — UMA INFÂNCIA DIFERENTE
Augusto cresceu dentro do Exército.
Enquanto outras crianças aprendiam a brincar, ele aprendia disciplina.
Enquanto outras crianças iam para casa depois das aulas, Augusto voltava para os alojamentos militares.
Seu corpo também começou a mudar.
Os cientistas perceberam que o organismo dele respondia ao projeto de maneira diferente da esperada.
Aos oito anos, Augusto já apresentava força muito acima do normal.
Aos dez, sua resistência havia aumentado ainda mais.
Aos doze, os pesquisadores começaram a perceber algo assustador.
Seu corpo não tinha um limite definido.
Um dos cientistas entrou na sala de comando.
— General, os resultados mudaram.
— Quanto?
— Muito.
— Explique.
O cientista colocou os relatórios sobre a mesa.
— O organismo dele continua se adaptando.
O general ficou em silêncio.
— Isso significa?
— Significa que não sabemos qual será o limite dele.
O general olhou para as imagens de Augusto treinando.
— Então continuem.
CAPÍTULO III — O MONTANTE
Aos quinze anos, Augusto recebeu sua arma.
Não era uma espada comum.
Era um montante único, desenvolvido especificamente para acompanhar sua força crescente.
Grande.
Pesado.
Difícil de manejar.
Augusto segurou o cabo.
— Por que fizeram isso para mim?
Seu instrutor respondeu:
— Porque armas comuns não vão acompanhar você para sempre.
Augusto olhou para a lâmina.
— E se eu ficar forte demais?
O instrutor respondeu:
— Então teremos que descobrir o que fazer com alguém como você.
Augusto ficou em silêncio.
Naquele momento, ele ainda não sabia que o Exército não estava apenas treinando um soldado.
Estava preparando uma arma viva.
CAPÍTULO IV — O PRIMEIRO COMANDO
Anos se passaram.
Augusto finalmente deixou de ser apenas um experimento.
Tornou-se comandante.
Recebeu 140 homens sob seu comando.
Na primeira reunião, alguns soldados ficaram desconfiados.
Um deles perguntou:
— É ele?
Outro respondeu:
— É.
— O garoto do projeto?
Augusto ouviu.
Virou-se.
— Algum problema?
O soldado hesitou.
— Não, comandante.
Augusto respondeu:
— Então vamos trabalhar.
Os 140 homens começaram a acompanhá-lo.
Com o tempo, perceberam que Augusto não era apenas uma arma.
Era um comandante.
Ele caminhava na frente.
Dormia junto dos soldados.
Dividia os riscos.
E jamais mandava alguém fazer algo que não estivesse disposto a fazer.
CAPÍTULO V — AS CIDADES
A guerra se espalhou por várias regiões.
Uma cidade foi tomada.
Depois outra.
Depois outra.
Augusto e seus 140 homens atravessaram diferentes zonas de combate.
O projeto militar havia funcionado.
Augusto era extremamente resistente.
Sua força parecia não ter limite.
Mas ele ainda tinha algo que os cientistas não haviam conseguido controlar:
humanidade.
Ele se preocupava com os soldados.
Protegia os civis.
E sempre perguntava:
— Quantos conseguiram sair?
Um oficial respondeu certa vez:
— Isso não importa. A missão é conquistar a região.
Augusto encarou o homem.
— Para mim importa.
— Comandante...
— Uma cidade não é apenas território.
Ele olhou para as pessoas que estavam deixando a região.
— São pessoas.
CAPÍTULO VI — QUANDO TODOS RECUARAM
Uma das batalhas mais difíceis chegou meses depois.
Os 140 receberam ordem para abandonar a região.
— Retirada imediata!
Os homens começaram a recuar.
Augusto também caminhava com eles.
Até perceber que alguns haviam ficado para trás.
Um soldado gritou:
— Comandante! Temos que continuar!
Augusto parou.
Olhou para trás.
— Quantos ficaram?
— Não sabemos.
Augusto segurou seu montante.
— Então eu volto.
— Sozinho?
— Sozinho.
— Isso é uma ordem suicida!
Augusto olhou para o soldado.
— Não estou procurando morrer.
Virou-se.
— Estou procurando quem ficou.
E voltou.
Sozinho.
Foi naquela noite que os 140 homens compreenderam por que seguiam Augusto.
Não porque ele fosse um mutante.
Não porque fosse mais forte.
Mas porque, quando todos precisaram ir embora, ele voltou.
CAPÍTULO VII — A VITÓRIA
A campanha continuou.
Augusto conquistou uma zona de batalha.
Depois outra.
E outra.
As forças inimigas recuaram.
As cidades foram tomadas.
As regiões estratégicas passaram para o controle de seu exército.
Os 140 homens tornaram-se conhecidos.
E Augusto tornou-se uma lenda militar.
Mas, longe dos campos de batalha, havia uma coisa que o Exército não conseguia controlar.
Sua família.
Augusto tinha uma pequena filha.
Era a única pessoa diante de quem ele não precisava ser comandante.
Quando voltava para casa, ela corria até ele.
— Papai!
Augusto deixava o montante de lado e a pegava no colo.
— Eu voltei.
Ela sorria.
— Você sempre volta?
Augusto respondia:
— Sempre.
Era a promessa que ele mais queria cumprir.
CAPÍTULO VIII — A REGIÃO PERDIDA
Então veio a batalha que mudou tudo.
Enquanto Augusto estava distante, forças inimigas atacaram a região onde sua família vivia.
Navios apareceram no horizonte.
A cidade entrou em estado de emergência.
A população tentou fugir.
Mas Augusto estava longe.
Quando recebeu a notícia, partiu imediatamente.
— Preparem os homens.
Um oficial respondeu:
— Os 140?
— Todos.
— E se não chegarmos a tempo?
Augusto ficou em silêncio.
Depois respondeu:
— Vamos chegar.
Mas não chegaram.
Quando Augusto finalmente alcançou a região, sua família havia desaparecido.
Ele procurou por sua filha.
Chamou seu nome.
Nada.
Entrou na antiga casa.
Nada.
Então percebeu o que havia acontecido.
Aquela foi a primeira batalha que Augusto não conseguiu vencer.
CAPÍTULO IX — A ÚLTIMA PROMESSA
Augusto ficou diante do mar.
Os navios ainda estavam no horizonte.
Um dos soldados aproximou-se.
— Augusto...
Ele não respondeu.
— Nós podemos voltar.
Augusto continuou olhando.
— Não.
— O que vai fazer?
Augusto segurou o montante.
— Vou terminar aquilo que começou.
— Sozinho?
Augusto olhou para trás.
Os 140 homens estavam esperando.
— Vocês não vão comigo.
— Por quê?
— Porque isso não é mais uma missão militar.
Augusto voltou os olhos para o mar.
— É pessoal.
CAPÍTULO X — A TRANSFORMAÇÃO
Então os sensores militares começaram a disparar.
Os cientistas que monitoravam Augusto ficaram desesperados.
— O organismo está mudando!
— Quanto?
— Não sabemos!
— Interrompam o projeto!
— Não podemos!
Augusto começou a crescer.
Seu corpo ultrapassou a altura dos edifícios.
Depois das torres.
Depois das montanhas.
Os soldados recuaram.
O céu escureceu.
Augusto continuou crescendo.
Mil metros.
Dois mil.
Cinco mil.
Dez mil.
Até alcançar uma altura impossível:
15.000 METROS.
As nuvens ficaram abaixo dele.
Os aviões pareciam pequenos ao seu redor.
O oceano parecia uma extensão de vidro.
O montante também havia aumentado junto com ele.
Agora era uma arma colossal.
Um dos cientistas, observando os instrumentos, murmurou:
— Nós conseguimos.
Outro respondeu:
— Não.
— O quê?
— Nós não conseguimos criar uma arma.
Ele olhou para a imagem de Augusto.
— Criamos alguém que pode decidir sozinho o que fazer com o mundo.
CAPÍTULO XI — A FÚRIA DOS 15.000 METROS
Augusto olhou para a região.
Ali estava tudo que ele havia perdido.
Sua casa.
Sua família.
Sua filha.
Sua expressão mudou.
— Vocês tiraram tudo de mim.
Sua voz atravessou a região.
Os navios começaram a recuar.
Augusto abriu a boca.
Uma luz surgiu dentro dela.
Os sensores militares entraram em alerta.
— O que é isso?
Então Augusto lançou uma gigantesca rajada de fogo sobre o horizonte.
O céu ficou iluminado.
A coluna de fogo atravessou o espaço entre ele e a frota.
Os navios abandonaram a região.
Augusto ergueu o montante.
Um único movimento atingiu as estruturas militares próximas.
Torres caíram.
Fortificações foram destruídas.
Estradas foram interrompidas.
A região inteira entrou em colapso.
Augusto continuou avançando.
Não havia mais comandante.
Não havia mais soldado.
Havia apenas a criatura que o Exército havia criado.
E um pai tomado pela raiva.
CAPÍTULO XII — A CIDADE
Augusto chegou à cidade.
Olhou para os edifícios.
Reconheceu as ruas.
Ali sua filha havia caminhado.
Ali ela havia vivido.
Ali ela havia chamado:
— Papai!
Augusto ergueu o montante.
Mas parou.
A espada ficou suspensa no ar.
Sua mão tremia.
Ele ouviu a voz dela em sua memória.
“Você sempre volta?”
Augusto fechou os olhos.
— Sempre.
Então percebeu.
Ele havia voltado.
Mas não havia conseguido cumprir sua promessa da maneira que queria.
A fúria começou a desaparecer.
Augusto baixou o montante.
— Eu voltei, filha.
Uma lágrima caiu.
— Só queria ter chegado antes.
CAPÍTULO XIII — O MUTANTE
Os 140 homens observavam à distância.
Um deles disse:
— Ele pode destruir tudo.
O veterano respondeu:
— Pode.
— Então por que parou?
O veterano olhou para Augusto.
— Porque ainda existe um homem dentro daquele monstro.
Augusto começou a diminuir.
15.000 metros.
10.000.
5.000.
1.000.
Até voltar à sua forma humana.
O Exército havia criado um mutante.
Mas não conseguiu apagar aquilo que fazia Augusto ser humano.
EPÍLOGO — O PROJETO QUE SOBREVIVEU
Depois daquele dia, o Exército encerrou oficialmente o projeto.
Os cientistas queriam controlar Augusto.
Não conseguiram.
Os generais queriam transformá-lo novamente em arma.
Ele recusou.
Os 140 homens permaneceram ao seu lado.
E o montante foi guardado.
Augusto nunca esqueceu o treinamento.
Nunca esqueceu os cinco anos de idade.
Nunca esqueceu o laboratório.
Nunca esqueceu os homens que comandou.
Nunca esqueceu as cidades.
Nunca esqueceu o dia em que voltou sozinho.
E nunca esqueceu sua filha.
Ele havia sido criado para ser uma arma.
Treinado para ser um soldado.
Transformado em mutante.
Tornado comandante.
Capaz de alcançar 15.000 metros de altura.
Capaz de destruir navios.
Capaz de lançar fogo.
Capaz de atravessar zonas de batalha onde ninguém mais conseguiria sobreviver.
Mas, no fim, Augusto descobriu uma coisa que o Exército jamais havia previsto:
eles conseguiram criar o guerreiro mais poderoso do mundo.
Só não conseguiram impedir que ele continuasse sendo pai.
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