A LUZ QUE NÃO SE APAGOU
(Intro — Batida pesada, bumbo e caixa marcantes. Clima sombrio e melancólico)
Acorda cedo, o sol nem nasceu no horizonte
Mas o peito tá pesado, carregando uma fonte
De angústia pura, medo que ninguém traduz
Augusto amarra o tênis, mas perdeu a sua luz.
O caminho pra escola parece o corredor da morte
Quem dera a juventude fosse apenas uma sorte.
Ele respira fundo, tenta se camuflar
Mas o inferno no portão já começou a se armar.
(Verso 1 — Ritmo acelerado, flow cortante e expressivo)
Entrou no pátio e o primeiro riso ecoou
Aquela velha piada que sua alma esmagou
Apelidos pesados, risadas de canto de olho
Augusto passa reto, engolindo o próprio choro.
Disseram que ele era estranho, bolaram um boato cruel
Transformaram a rotina do garoto em um fel.
O foco era o cabelo, o jeito de andar, o sapato rasgado
O tribunal dos covardes já tinha o condenado.
Empurrão no corredor, o caderno jogado no chão
Ninguém estende a mão, ninguém tem compaixão.
E a plateia só assiste, grava tudo no celular
Mais um vídeo pra rede pro sofrimento viralizar.
Ele junta as suas folhas com as mãos a tremer
Pensando: "O que fiz de errado pra isso merecer?"
A dor não é na pele, a dor é na dignidade
Rodeado de gente, mas na mais pura solidão da cidade.
(Refrão — Melódico, forte, com peso emocional)
Quem vai ouvir o grito que o peito não solta?
Augusto tá trancado e o mundo não dá volta.
O que pra muitos é "brincadeira" e piada sem valor
Pra quem tá na pele é trauma, cicatriz e dor.
O silêncio da escola ferve como um vulcão
Até quando a maldade vai vencer a união?
(Verso 2 — Flow denso, carregado na indignação)
As semanas se passam, mas o pesadelo aumenta
A maldade humana é uma máquina que não amansa, só esquenta.
Criaram um grupo de mensagens, um covil virtual
O cyberbullying atacando a mente, um bombardeio mental.
Prints com ofensas, xingamentos de todo escalão
Dizendo pra ele sumir, que ele era uma assombração.
Augusto olha a tela no quarto, no escuro, isolado
O refúgio que era a casa agora foi violado.
A mãe percebe a mudança, o apetite sumiu
As notas despencaram, o sorriso dele faliu.
Ele diz que é só febre, inventa desculpa pra não ir
Pois sabe que o dia seguinte é um teste pra resistir.
A coordenação ignora, diz que é "coisa de idade"
Minimizando o crime, mascarando a verdade.
Mas o bullying é veneno que mata por dentro a conta-gotas
Destrói os sonhos puros e as mentes mais devotas.
(Verso 3 — Clímax, flow agressivo e dramático. Baseado em fato real)
E o dia mais sombrio chegou sem avisar
No canto da quadra, o bonde veio cobrar.
Não bastava a palavra, eles queriam o sangue, a agressão
Três contra um, Augusto jogado no chão.
Um empurrão violento contra a quina da parede
A violência covarde saciando a sua sede.
O estalo no osso, o grito de socorro abafado
Um jovem de quinze anos gravemente machucado.
Fratura no maxilar, o rosto sangrando na terra
A escola virou o cenário de uma maldita guerra.
Sirene de ambulância, correria e desespero
A mãe chega correndo, o choro é o seu parceiro.
Augusto vai pra UTI, o quadro é delicado
Por causa de um bando de monstros que nunca foi travado.
O hospital é frio, os aparelhos a apitar
Enquanto os agressores continuam a zombar.
(Verso 4 — Reflexão. Flow mais lento, batida reduzida)
Meses se passaram para o corpo cicatrizar
Mas a mente do Augusto ainda custa a acordar.
Processos na justiça, a escola tenta abafar
Dizem que "não viram", tentam se esquivar.
Mas a verdade não se esconde atrás de um papel timbrado
O trauma de um jovem não pode ser apagado.
Augusto voltou pra casa, mas carrega o pavor
Olhar no espelho se tornou um ato de dor.
Ele tenta reconstruir o que o ódio quebrou
Lembrando que o mundo falhou, mas que ele não parou.
Essa rima não é festa, essa rima é um manifesto
Pra que o caso do Augusto não aconteça com o resto.
(Outro — Batida sumindo aos poucos. Voz ecoando com eco)
Bullying não é brincadeira. Bullying destrói vidas.
Mudamos o nome pra Augusto, mas a história é real.
Acontece na sua escola, na sua rua, no seu sinal.
Não seja o covarde que bate, nem o omisso que assiste.
A voz do Augusto hoje ecoa... para que ninguém mais fique triste.
Justiça. Respeito. Empatia.
Fim da opressão.
(Fim — Som de um coração batendo, que vai diminuindo até silêncio total)