Nota do autor: Quando escrevi "A Ilusão do Teu Olhar", achei que a história daquela manhã tinha terminado ali. Mas a saudade é um território teimoso e insistentemente doloroso. Depois que o olhar se desfez no lençol frio, o silêncio do banheiro trouxe um novo eco. Esta é a segunda parte de um dia inteiro de ausência. Bem-vindos a "A Ilusão da Sua Voz".
Eu acordei e não te vi ao meu lado,
Suspirei no vazio do quarto
E pensei, com o peito cansado:
"Finalmente a superei".
Fui ao banheiro lavar o rosto,
Buscando a certeza final na água fria.
Depois olhei para o espelho,
E o seu olhar ali já não me contestava.
Então suspirei, me virei e tentei ir embora.
Ao sair daquele cômodo
E olhar para a nossa cama,
Um alívio breve me visitou...
Mas a paz não durou muito.
Vinda do nada, rasgando o silêncio,
Eu escutei a sua voz soprando:
"Amor, esqueci a toalha, pega para mim?"
Me virei rápido, o coração em sobressalto,
Olhei de volta para o banheiro...
Mas você não estava lá.
Havia apenas meu próprio reflexo,
Uma moldura partida pelo tempo:
Um rosto triste na realidade,
Olhando para um rosto feliz na memória.
Não sei o que mais me quebrou por dentro:
Se foi a crueldade da ilusão de te escutar,
Ou a dor dessa saudade infinita
De ouvir você me chamando de "meu amor".