Esquecer é uma eternidade
que a alma aprende devagar.
Pois ninguém abandona uma lembrança
sem antes sentir o último vestígio
daquilo que já não está.
A saudade conhece seus caminhos:
No gosto do café,
Na canção esquecida,
No perfume que permanece no ar
A memória senta-se à mesa
onde antes havia dois.
Não diz uma só palavra.
E, ainda assim, é a mais cruel das conversas.
Quanto mais a alma resiste, mais o silêncio a invade, e aquilo que terminou continua latejando dentro do que somos.
Com fé, talvez um dia
a dor vire a página.
Pois certos amores
não encontram regresso.
Permanecem, como uma imagem embaçada
de um céu que já não existe.
E assim aprendemos
que o amor, mesmo depois de partir, continua vivendo dentro da gente.