No ventre do fogo, o aço chora,
grita em brasas, pede forma.
A vida é martelo que não descansa,
bate, insiste, molda na bigorna.
Cada pancada é dor que ecoa,
cada golpe arranca impureza oculta.
O aço se purifica na violência da chama,
assim como a alma na tormenta absoluta.
A depressão é o peso da escória,
sombra que insiste em se prender ao metal.
Mas o ferreiro da existência não cessa,
bate até que reste apenas o essencial.
E quando a espada enfim se ergue,
brilhante, firme, livre da ferrugem,
é prova de que a dor não foi em vão:
foi caminho, foi luta, foi forja da razão.