Olhando para o rastro do que ficou para trás, percebi que o meu maior erro nunca foi o tamanho do amor que eu dei, mas a forma distorcida como eu enxergava a vida e o afeto. Eu cresci acreditando na mentira romântica de que amar é sinônimo de sacrifício, de que suportar a dor é prova de lealdade e de que o amor verdadeiro exige que a gente se anule para fazer o outro feliz. Que tolice. Entendi, da forma mais difícil possível, que a relação mais longa e importante da minha vida é a que eu tenho comigo mesmo. Se eu não me amar, se eu não for o meu próprio porto seguro, vou continuar aceitando que qualquer pessoa entre e faça bagunça na minha casa.
Hoje, enquanto tento reconstruir o meu amor próprio tijolo por tijolo, uma pergunta sincera e dolorosa não sai da minha cabeça, e eu preciso encará-la de frente. Por que eu passei tanto tempo cuidando dos outros e esqueci de cuidar de mim? Por que eu nunca me amei?
Parece que escrever o que eu sinto foi uma ideia boa. Preciso ouvir mais ou outros. Vou continuar e ver onde me leva.