Se 98% sumiu, quem passou do asteroide não tinha mérito nenhum, era bicho pequeno no lugar certo. Por isso desconfio um pouco do fecho: durar quase sempre foi sorte, e fazer alguém feliz vem depois, se der.
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Pensamento
Se 98% sumiu, quem passou do asteroide não tinha mérito nenhum, era bicho pequeno no lugar certo. Por isso desconfio um pouco do fecho: durar quase sempre foi sorte, e fazer alguém feliz vem depois, se der.
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Um dia, li uma informação que ficou na minha cabeça: estima-se que apenas cerca de 2% das espécies que já existiram na Terra ainda estejam vivas hoje.
Li uma vez. Depois, li de novo.
Tentei imaginar o que esse número realmente significava. Bilhões de anos de história, incontáveis formas de vida, mundos que existiram e desapareceram sem que jamais soubéssemos como eram. Florestas onde hoje existem oceanos. Criaturas que dominaram seus ambientes e que, um dia, deixaram de existir.
Noventa e oito por cento.
É estranho pensar que a vida que conhecemos hoje representa apenas uma pequena parte de tudo o que já passou por aqui.
Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide atingiu a Terra e contribuiu para uma das grandes extinções da história do planeta. Os dinossauros não avianos desapareceram. Ecossistemas inteiros foram transformados. E, enquanto aquele mundo se desfazia, algumas formas de vida encontraram condições para continuar.
A Terra não voltou a ser como antes. A vida seguiu por outros caminhos.
E foi aí que comecei a pensar em nós.
Quantas vezes olhamos para o fim de alguma coisa como se estivéssemos diante do fim de tudo? Uma relação que não resistiu, um sonho que precisou ser abandonado, uma versão de nós mesmos que já não cabe na pessoa que nos tornamos.
Talvez seja porque temos dificuldade em aceitar que algumas coisas precisam terminar sem que isso signifique que tudo perdeu o sentido.
Mas existe uma diferença entre perder algo e perder todas as possibilidades.
A história da vida nos mostra que sobreviver nem sempre é uma questão de força. Às vezes, depende das circunstâncias, da capacidade de adaptação e de acontecimentos que ninguém poderia controlar. Não há garantias. Não há promessas de que tudo ficará bem.
Há apenas a vida, acontecendo, mudando, seguindo por caminhos que ninguém conhece por inteiro.
E talvez seja justamente por isso que devêssemos prestar mais atenção ao que fazemos enquanto estamos aqui.
Às pessoas que amamos. Às palavras que escolhemos. Ao tempo que gastamos tentando provar alguma coisa para os outros, enquanto deixamos de viver aquilo que realmente importa.
Porque, se quase tudo o que já existiu desapareceu, talvez a pergunta mais importante não seja quanto tempo conseguiremos permanecer.
Talvez seja o que faremos com o tempo que nos foi dado.
E tem algo nisso que não consigo deixar de pensar: um dia, também seremos passado. Nossos nomes talvez sejam esquecidos, nossas histórias deixem de ser contadas e o mundo continue sem saber que estivemos aqui.
Mas, até lá, teremos tocado outras vidas. Teremos sido parte de histórias que não eram apenas nossas.
Talvez não tenhamos vindo ao mundo para durar para sempre. Talvez tenhamos vindo para que, durante o breve intervalo em que existimos, alguma coisa boa no mundo aconteça porque estivemos aqui.
E, se for assim, talvez a grande pergunta não seja se seremos lembrados daqui a mil anos.
Mas se, enquanto estivemos aqui, fizemos alguém sentir que valeu a pena estar vivo.
Thoughts
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PermalinkLi tudo como um término contado pelo caminho dos dinossauros. A relação que não resistiu aparece de passagem, numa linha só, e o resto do texto parece escrito pra dar conta dela.
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PermalinkSe 98% sumiu, quem passou do asteroide não tinha mérito nenhum, era bicho pequeno no lugar certo. Por isso desconfio um pouco do fecho: durar quase sempre foi sorte, e fazer alguém feliz vem depois, se der.
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