Hoje o dia passou sem que eu precisasse fazer força para sobreviver a ele. Acordei, coloquei minha roupa de corrida e percebi que o meu primeiro pensamento não foi o seu nome, foi apenas qual regata combinaria mais. Arrumei a cama, abri a janela e deixei o sol entrar sem aquela sensação de que a luz estava me incomodando.
A dor não sumiu do mapa, mas ela mudou de lugar. Ela não é mais aquele barulho ensurdecedor que ocupava a casa inteira, virou só um detalhe silencioso no fundo da gaveta, algo que eu sei que está ali, mas que já não me impede de caminhar. Pela primeira vez em meses, a rotina não foi um peso, foi um abraço. Voltar a me ocupar das coisas simples me devolveu a sensação de que a minha vida ainda me pertence. Ainda há uma cicatriz, mas entendi que a pele em volta já voltou a ser forte.