O problema de construir muros tão altos para me proteger é que acabei trancado do lado de dentro. No começo, o isolamento parecia um alívio, uma garantia de que ninguém mais chegaria perto o suficiente para me quebrar de novo. Mas agora, o silêncio do meu quarto pesa. Olho para o celular, vejo mensagens de pessoas que se importam e simplesmente não consigo responder. Não é por mal, é que conversar exige uma energia que eu não tenho, e o medo de deixar escapar qualquer detalhe da minha vulnerabilidade me paralisa.
Viver na defensiva é uma solidão sufocante. Eu vejo o mundo acontecer lá fora, vejo as pessoas arriscando, conversando e se conectando, enquanto eu assisto a tudo da janela, protegido, mas completamente vazio. É como se você tivesse me roubado o direito de pertencer aos lugares. O medo de ser ferido me convenceu de que é melhor não sentir nada do que correr o risco de sentir dor outra vez. Só que essa segurança custa caro demais, ela me custa a vida que eu deveria estar vivendo. Estou cercado por paredes que eu mesmo levantei, e a pior parte é perceber que o meu maior inimigo agora não é mais você, é esse espaço vazio que restou em mim.