domingo é um sentimento
domingo é de tarde.
são quatro horas
e aquela sensação vem.
não sei de onde,
não sei por quê,
mas ela sempre vem.
e talvez seja por isso
que eu odeie os domingos.
porque o dia pode ter sido lindo.
posso ter rido até doer a barriga,
ter estado com pessoas que amo,
ter vivido coisas que
eu queria guardar para sempre.
mas então chegam quatro,
cinco horas da tarde
e alguma coisa dentro de mim muda.
o céu continua azul,
o café continua quente,
as pessoas continuam aqui.
mas eu não.
eu me perco um pouco
dentro de mim mesma.
é uma angústia sem nome,
uma tristeza sem história,
um vazio que não sabe dizer
o que está faltando.
agora estou sentada
aos pés da cama,
com um café ao meu lado
e algumas palavras
tentando fazer sentido
do que sinto.
e talvez eu nunca descubra
o que exatamente dói.
talvez domingo seja isso:
o silêncio depois de um dia cheio,
o intervalo entre uma semana e outra,
a hora em que tudo fica quieto
e a gente finalmente escuta
aquilo que passou a semana inteira
tentando não sentir.
domingo não é um dia.
domingo é um sentimento.
e eu ainda não aprendi
a gostar dele.