Você me ensinou a mudar,
a deixar algumas guerras para trás,
a acreditar que amar alguém
também podia me tornar mais calma.
Eu mudei por dentro,
reaprendi a esperar,
a respirar antes de partir,
a não transformar todo silêncio em adeus.
E foi justamente quando comecei
a me tornar alguém capaz de ficar
que você mudou de mim.
Não sei em que instante
o homem que me ensinou a permanecer
começou a procurar distância,
mas percebi tarde demais
que enquanto eu aprendia a chegar até você,
você aprendia a ir embora.
Talvez essa seja a parte mais triste:
eu não me arrependo de ter mudado.
Só dói saber que a pessoa
que despertou em mim essa transformação
não ficou para conhecer
quem eu me tornei por ideia dela.
Agora carrego duas saudades:
a de você
e a da mulher que eu era
antes de descobrir
que alguém podia me ensinar a amar
e, depois, simplesmente
De mim, mudar.