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VOCÊ FOI, EU FIQUEI

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Existem lembranças que o tempo não consegue apagar.

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Fiz a conta: dois anos e sete meses a partir daquela sexta, 13 de novembro de 2015, dá junho de 2018, ela com uns quinze ou dezesseis. A aliança veio em abril de 2016, nos cinco meses. Meu palpite é que a amiga que apresentou os dois ainda volta pra histó

Fiz a conta: dois anos e sete meses a partir daquela sexta, 13 de novembro de 2015, dá junho de 2018, ela com uns quinze ou dezesseis. A aliança veio em abril de 2016, nos cinco meses. Meu palpite é que a amiga que apresentou os dois ainda volta pra história. Vai postar a continuação da história da aliança?

Conteúdo da publicação

A história de uma menina que perdeu um amor e encontrou a si mesma.


13 DE NOVEMBRO DE 2015

Existem lembranças que o tempo não consegue apagar.

Não importa quantos anos passem. Algumas datas continuam guardadas em algum canto da gente, esperando apenas uma lembrança para voltar. Basta ouvir uma música, passar por um lugar ou simplesmente fechar os olhos e, de repente, parece que o tempo não passou.

Eu tinha treze anos.

Ele tinha quatorze.

E eu ainda não sabia quase nada sobre o amor.

Na verdade, eu achava que sabia.

Achava que amar alguém era encontrar uma pessoa e ficar com ela para sempre. Que quando alguém segurava a nossa mão, aquela mão não seria solta. Que as promessas feitas quando a gente se amava tinham força suficiente para atravessar qualquer coisa.

Eu ainda acreditava no “para sempre” como quem acredita em uma verdade que nunca precisou ser questionada.

Hoje eu sorrio quando lembro daquela menina.

Não porque ela era boba.

Mas porque ela acreditava com uma força que eu, muitos anos depois, ainda admiro.

Naquela sexta-feira, 13 de novembro de 2015, eu não fazia ideia de que estava entrando em uma história que ocuparia uma parte tão grande da minha vida.

Foi minha amiga quem nos apresentou.

E talvez ela nunca tenha imaginado o tamanho daquela apresentação.

Para ela, talvez fosse apenas mais um menino.

Para mim, ele se tornaria o meu primeiro amor.

Eu lembro da vergonha, dos olhares e daquela sensação estranha de não saber exatamente o que estava acontecendo dentro de mim. Eu tentava parecer normal, mas alguma coisa já tinha mudado.

Então nós nos beijamos.

E foram apenas alguns minutos.

Alguns beijos.

Alguns olhares.

Mas, para uma menina de treze anos, aquilo parecia enorme.

Eu não precisei de meses para gostar dele.

Não precisei de anos para me apaixonar.

Naquele dia, alguma coisa simplesmente aconteceu.

Eu saí dali com um sorriso que não cabia no rosto e com uma certeza que, hoje, parece até engraçada:

eu tinha acabado de encontrar o amor da minha vida.

Pelo menos era isso que eu acreditava.

Pouco tempo depois, começamos a namorar.

E então eu entrei de verdade no mundo dele.

Comecei a querer estar perto o tempo inteiro. Antes da escola, durante a escola, depois da escola. Qualquer oportunidade de encontrá-lo já era suficiente para deixar meu dia melhor.

Quando eu estava com ele, parecia que o resto desaparecia.

Eu esquecia dos problemas.

Esquecia das horas.

Esquecia até de mim.

O abraço dele parecia o lugar mais seguro que eu conhecia.

O sorriso dele tinha alguma coisa que me desmontava.

E quando ele olhava diretamente nos meus olhos, eu me sentia especial de um jeito que não sabia explicar.

Eu era tão nova que ainda não sabia diferenciar amor de apego, intensidade de dependência, promessa de realidade.

Eu só sabia que queria ficar.

E queria ficar para sempre.

Meses depois, quando completamos cinco meses juntos, ele me deu uma aliança.

Eu passei o dia inteiro sorrindo.

Olhei para aquela aliança tantas vezes que provavelmente ele nem imaginava o significado que aquilo tinha para mim.

Era só uma aliança.

Mas, na minha cabeça, era uma promessa.

Era uma confirmação de tudo aquilo que eu já tinha começado a imaginar.

Eu olhava para ele e pensava no futuro.

Pensava que aquele menino seria meu príncipe.

Que nós cresceríamos juntos.

Que passaríamos por tudo juntos.

Eu ainda não sabia que a vida não costuma seguir os planos que fazemos aos treze anos.

Naquela época, eu só sabia amar.

E amava sem medo.

Com o passar dos meses, fui me apaixonando cada vez mais.

Eu dizia “eu te amo” por qualquer motivo.

Às vezes porque estava feliz.

Às vezes porque sentia saudade.

Às vezes simplesmente porque precisava que ele soubesse.

Comecei a escrever cartas.

Textos enormes.

Palavras que pareciam nunca ser suficientes para explicar o que eu sentia.

Eu queria colocar no papel aquilo que meu coração não conseguia falar olhando para ele.

E talvez esse tenha sido o começo de uma coisa que me acompanharia por muitos anos:

eu escrevendo para tentar entender aquilo que sentia.

Naquela época, eu não imaginava que um dia escreveria sobre o nosso fim.

Eu só queria escrever sobre nós.

Sobre os beijos.

Sobre os abraços.

Sobre as conversas.

Sobre os dias em que ficávamos juntos e esquecíamos do horário.

Sobre aquele sentimento bonito de acreditar que, finalmente, eu tinha encontrado alguém que ficaria.

Eu não sabia que algumas das melhores lembranças da nossa história um dia também seriam as mais difíceis de revisitar.

Eu não sabia que aquele primeiro beijo, que naquele momento parecia apenas o começo de uma história de amor, também seria o início de uma das maiores lições que a vida me daria.

Naquela noite, quando tudo ainda era novo, eu deitei na cama pensando nele.

E, antes de dormir, fiz uma oração simples.

Pedi a Deus que, se fosse da vontade d'Ele, aquele menino continuasse na minha vida.

Ele continuou.

Por dois anos e sete meses.

E, naquele momento, eu achei que seria para sempre.

Hoje eu sei que não foi.

Mas talvez “para sempre” nunca tenha significado o tempo que eu imaginei.

Talvez tenha significado apenas o quanto aquela história permaneceria em mim.

Porque existem pessoas que passam pela nossa vida e vão embora.

Mas algumas deixam uma versão antiga de nós vivendo para sempre dentro das lembranças.

E naquele 13 de novembro de 2015, sem saber de nada disso, uma menina de treze anos começou a viver a primeira grande história de amor da sua vida.

Ela só não sabia que, muitos anos depois, seria ela mesma quem precisaria contar como aquela história terminou.

Naquele dia, eu não encontrei o amor da minha vida.

Encontrei o meu primeiro amor.

E existe uma diferença enorme entre os dois.

PARA MAIS PARTES, COMENTE MUITO, A HISTORIA É BEM INTERESSANTE

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  • linhaTorta

    Fiz a conta: dois anos e sete meses a partir daquela sexta, 13 de novembro de 2015, dá junho de 2018, ela com uns quinze ou dezesseis. A aliança veio em abril de 2016, nos cinco meses. Meu palpite é que a amiga que apresentou os dois ainda volta pra história. Vai postar a continuação da história da aliança?

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