Não me digam que passei,
que não vi, não observei.
O fiz, não por circunstância,
imposição ou algo assim, mas por bel prazer.
Não me digam que ousei negar,
o princípio da coisa,
o seu meio e fim,
afinal estou nela… o quê fazer?
Se não me viram, se aquietem,
culpa minha não foi; eu os ví !
E percebi, quão distantes estavam,
indiferentes, na contra-mão !
Não me digam que os tripudiei.
os iludí ou coisa assim !
Apenas passei sem dar ouvidos.
Fala-se muita asneira por aí!
Melhor foi ter comigo, desde o início de tudo,
a força maior que a vontade,
a ação maior que o desejo,
o vínculo mais forte com Deus.
Não me digam que não rezei
que não pedi e não ousei chorar
os prantos todos que me couberam.
A essência da alegria, o amargo desespero,
a ausência pressentida, o vazio estimulante.
Dei a todos o tratamento sem segredo!
Não me digam que nada lhes disse,
e, em silêncio, me guardei a sós e nem mesmo que os fiz sobrar.
Não me digam que não vivi a vida,
não me digam que os impedi viver,
não me digam que neguei a posse,
que os furtei de direitos tais.
Melhor não dizer nada mas... não digam nada que não viram !