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VÃMENTE

RicardoC

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VÃMENTE

Aonde as coisas qu'eu esqueço vão
Nos desvãos da memória envelhecida?
Poemas falam enquanto a mente olvida,
Mas quem dirá não terem sido em vão??

Como a viga que, após vencido o vão,
Sobre si nenhuma via fora erguida...?
Ou como alguma língua já perdida,
Tendo sido não será um sopro vão?

Alguém talvez encontre esse legado,
E ria das quimeras das idades;
Ou lamente a miséria do passado;

Cheias de fantasias e inverdades
— Páginas d'um caderno amarelado —
E as tenha por vaidade das vaidades...

Belo Horizonte - 15 01 1995  

Thoughts

  • gastoInvisivel

    Esse caderno amarelado tá sendo lido agora, trinta anos depois, por um monte de gente aqui. O alguém que ia achar o legado acabou sendo o próprio poeta passando a limpo.

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