Talvez amar nunca tenha sido sobre
encontrar alguém perfeito.
Talvez seja sobre encontrar alguém que,
de alguma forma, faça o mundo parecer
um pouco menos solitário.
Penso em A Dama e o Vagabundo e acho
curioso como duas vidas tão diferentes
podem acabar se encontrando. Uma
tinha casa, comida e um lugar para
chamar de seu. O outro tinha ruas, os
perigos e a liberdade.
E ainda assim, eles se encontraram.
Talvez seja porque o amor não se importe
muito com onde você veio.
Às vezes a gente cresce acreditando que
precisa estar com a vida no lugar para
merecer alguma coisa bonita. Precisa ser
a pessoa certa, estar no momento certo,
ter certeza do que quer.
Mas e se não for assim?
E se até quem vive perdido puder amar?
Vagabundo também ama.
Talvez principalmente ele.
Porque quem conhece a solidão sabe
reconhecer quando alguém chega e faz
companhia a ela.
E talvez seja por isso que vida longa,
mundo pequeno faça tanto sentido.
O mundo é enorme até o momento em
que alguém se torna importante para
Você.
De repente, uma cidade inteira parece pequena. Um caminho
qualquer vira memória. Uma música começa a ter nome
e rosto. Um lugar deixa de ser apenas um lugar porque alguém
esteve ali com você.
É engraçado.
A gente passa tanto tempo tentando
encontrar alguém extraordinário, quando
às vezes o que transforma uma vida é
simplesmente alguém que apareceu no meio dela.
Um encontro.
Um olhar.
Uma noite.
Uma história que talvez nem dure para
sempre, mas que, por algum motivo,
permanece.
E talvez seja isso que o amor faça.
Ele não precisa durar para sempre para ter sido verdadeiro.
Às vezes, basta ter existido.