Um novo relevo
Por que meu verso não renova a forma,
Não canta um mote novo, uma mudança?
Por que não descortina outras nuanças
E, no horizonte, adentra novas portas?
Por que a minha pena enreda a trova
Ao mesmo galanteio, à mesma andança,
Que cada verso quase, em entregança,
Diz meu nome, repete e se conforma?
A ti, amada, a ti é que eu escrevo
E ao velho dito dou novo relevo!
Tu és o assunto, meu mundo eterno e vasto!
Quero tu’alma, teu corpo, o olhar, teu nome;
Quero saciar a sede, a minha fome;
Quero gastar de novo o que foi gasto!