O despertador toca, mais um dia começou,
mas meu corpo insiste em dizer que nunca descansou.
Parece que corri cinquenta quilômetros na escuridão,
mesmo depois de horas dormindo, ainda pesa meu coração.
Os olhos se abrem, mas a alma quer ficar,
presa naquele quarto onde ninguém pode cobrar.
A cama me abraça, sussurrando para eu não partir,
enquanto a vida lá fora me obriga a existir.
Queria simplesmente dizer:
"Hoje não vou."
Fechar a porta do mundo,
silenciar tudo o que sou.
Mas as contas não esperam,
a fome não tira folga.
Existem pessoas que dependem de mim,
e o amor também carrega sua própria corda.
Então eu levanto.
Não porque estou forte,
não porque estou bem,
mas porque desistir agora
não alimenta ninguém.
Há dias em que a vontade é chutar o balde,
deixar o cansaço vencer a batalha.
Gritar contra o peso da rotina,
contra essa exaustão que nunca se cala.
Mas sigo.
Um passo de cada vez,
mesmo com o coração pesado.
Porque ser forte nem sempre é sorrir,
às vezes é apenas continuar cansado.
E assim nasce mais um dia comum,
igual a tantos outros que já vivi.
Uma guerra silenciosa entre o querer parar
e a necessidade de prosseguir.
Talvez ninguém perceba a luta que enfrento,
nem as feridas que escondo ao caminhar.
Mas toda manhã, quando escolho levantar,
venço uma batalha que poucos conseguem enxergar.
Porque, às vezes, a maior coragem não é conquistar o mundo...
É simplesmente encontrar forças para enfrentar mais um dia.