Segunda-feira, 24/03/2025
Ontem à noite foi um daqueles momentos que ficam marcados para sempre. Ver o Daniel me assumir daquela forma, diante de todos, aqueceu profundamente meu coração. Eu amo esse homem... amo mais do que palavras podem expressar.
E os meus pais? Ficaram em choque. Descobriram meu noivado com o Daniel pela televisão, nas manchetes estampadas em todos os sites e jornais: "Herdeiro do Grupo Grão UP fica noivo de um simples funcionário."
Conversei bastante com eles. Meu pai está visivelmente preocupado... e olha que ele nem sabe ainda que o pai do Daniel não aprova o nosso relacionamento.
Agora estou indo para o trabalho. Ainda não sei o que me espera por lá, nem qual será a reação dos meus colegas. Estou nervoso.
Assim que chego na entrada da empresa, sou surpreendido por uma multidão de repórteres.
- Ariel! Ariel! Dê uma declaração sobre ontem! - grita um, esticando o microfone bem na minha cara.
- Mesmo sendo noivo de um dos herdeiros da Grão UP, você ainda pretende continuar trabalhando? - questiona outro.
Não respondo. Apenas passo correndo por eles e entro no prédio o mais rápido que posso.
- E aí, Cinderela, pensei que não fosse trabalhar mais! - provoca uma colega com um sorriso debochado.
- E por que eu não viria? - questiono, mantendo a calma.
- Seu futuro marido é milionário! Se fosse eu, estaria num spa agora... ou fazendo compras no shopping. - diz ela, rindo.
- Você disse bem... você faria isso. - respondo, caminhando em direção ao elevador, sem dar ouvidos.
Assim que chego a recepção, sou interrompido pela secretária.
- Ariel, o presidente quer vê-lo. - diz ela, séria.
Meu corpo treme. A lembrança da nossa última conversa ainda me assombra. Depois daquele dia, fiquei muito mal... me senti inferior, pequeno. Mas desta vez é diferente. Desta vez, não vou me curvar. Nunca mais deixarei que alguém me trate como se eu não tivesse valor.
Saio do elevador e vou até a sala do presidente. Chegando lá, me deparo com a secretária dele, ela estava me esperando na frente. Ela me anuncia e então abre a porta. Entro com um frio na barriga.
- Sente-se, Ariel. - diz o presidente.
- Pode dizer, senhor. - digo enquanto me sentava.
- Quanto você quer para sair da vida do meu filho definitivamente? - diz o presidente friamente.
- Peraí... o senhor quer me comprar? - digo, incrédulo.
- Todo mundo tem um preço. Agora vamos, me diga o seu! - insiste o presidente.
- O senhor é muito pior do que eu imaginava. - digo, totalmente horrorizado com o que acabei de ouvir.
- Como se atreve a falar assim com o seu presidente?! - grita o presidente, irritado.
- Meu presidente? Então, a partir de agora, eu me demito. Neste exato momento, somos apenas genro e sogro. - rebato de cabeça erguida.
- Genro e sogro? Ponha-se no seu lugar! - diz o presidente em tom de nojo.
- O seu filho é meu noivo. Então eu sou seu genro, querendo o senhor ou não. E, sinceramente, o senhor é um péssimo sogro... e um pai horrível. - digo firmemente enquanto o encarava.
- Você tem a língua muito afiada. Nunca ninguém falou assim comigo antes. - diz o presidente surpreso.
- Por isso que o senhor é assim. Agora, me dê licença. Vou ajeitar as minhas coisas. - digo enquanto me levantava.
Então saio da sala. Estou totalmente leve. Não deixei ele me diminuir.
Vou até a cozinha. Tem uma coisa que quero fazer uma última vez: quero preparar um cappuccino para o meu amor.
Preparo com todo carinho e faço um coração na espuma. Então vou até a sala do Daniel.
- Senhor, o seu café. - digo, enquanto bato na porta.
- Pode entrar. - diz o Daniel com a voz doce.
Entro com um sorriso e coloco o café sobre a mesa. Vou por trás dele e o abraço.
- Amor... eu sinto muito, mas vou ter que quebrar minha promessa. - digo com a voz triste.
- Amor, o que houve? - diz Daniel, me olhando com o rosto assustado.
- Eu não vou mais poder te servir café. - digo.
- Por quê? - diz Daniel, triste.
- Eu acabei de me demitir. - digo.
- O quê?! - grita Daniel, assustado. - O meu pai te demitiu, não foi?
- Não. Eu cheguei a essa decisão. Se eu continuar trabalhando aqui, seu pai nunca vai me aceitar. Ele apenas me vê como um simples funcionário da empresa. - explico.
- Amor, não faz isso... - diz Daniel.
- É melhor assim. - digo. - Agora, adeus, meu amor. A gente se vê fora da empresa. - digo, enquanto caminho até a porta.
- Ariel, espera! - diz Daniel.
- Oi? - digo, me virando.
- O seu celular... eu peguei de volta. - diz Daniel, enquanto coloca o meu celular sobre a mesa.
- Obrigado, amor. - digo, pegando meu celular.
- Nos vemos à noite. Eu prometi ao seu pai que jantaria com ele hoje. - diz Daniel com um sorriso.
Eu dou um sorriso também... e então saio.
Vou até o RH resolver a minha situação. Depois, vou para a minha sala e me despeço de todos os meus colegas. Fiquei impressionado com o apoio e o carinho de todos. Então fui para casa. Ao chegar, me deparo com o papai - ele estava se preparando para sair para o trabalho.
- Ariel? O que faz aqui? - diz meu pai, totalmente confuso.
- Papai, eu sinto muito, mas eu me demiti. - digo, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
- Como assim? Você saiu do seu emprego? - diz ele, surpreso.
- É melhor assim. Esse é o único jeito do meu relacionamento com o Daniel dar certo. Mas não se preocupe, papai... eu vou conseguir um novo emprego, eu prometo. Eu não vou ser um peso para o senhor. - digo, chorando.
- Oh, meu filho... não diz isso. Você não é um peso pra mim. - diz meu pai, enquanto me abraça apertado.
- Filho... é por isso que eu fiquei preocupado que você se envolvesse com alguém do trabalho, especialmente com seu chefe. Se o pai do Daniel não te aceita, então ele é um idiota. Você é um tesouro na vida de qualquer um que cruze o seu caminho. - diz ele, fazendo carinho no meu cabelo.
- Obrigado, papai. Eu te amo. - digo.
Terça-feira, 25/03/2025
É de manhã. Acabei de me arrumar. Vou sair agora para entregar currículos. Sei que não vai ser fácil, mas vou fazer o meu melhor para conseguir um novo emprego.
- Ariel. - diz meu pai.
- Estou aqui, papai. - digo.
- O que está fazendo? - pergunta ele, entrando no quarto.
- Estou terminando de me arrumar. Vou procurar um novo emprego. - digo, enquanto ajeito o cabelo em frente ao espelho.
- Eu quero te levar a um lugar. Vamos lá. - diz meu pai.
- Onde, papai? - pergunto.
- Só vamos logo. - responde ele, impaciente.
Meu pai me leva até uma loja bem grande.
- Por que me trouxe aqui, papai? - pergunto, confuso.
- Quero que escolha um carrinho. Eu vou comprar pra você. - diz ele.
- Mas, papai...
- Eu sei que sempre foi seu sonho trabalhar com café desde criança. Mas eu fui egoísta e não te apoiei. Desculpa, filho... por enquanto, isso é o que posso te oferecer. - diz ele, com sinceridade.
- Papai... não acredito que o senhor está fazendo isso. - digo, chocado.
- Se eu disser que vai ser fácil, vou estar mentindo. Então, vou entender se não quiser. Mas você vai crescer aos poucos... até conseguir abrir sua própria cafeteria. - diz meu pai, com um sorriso.
- Muito obrigado, papai. - digo, emocionado.
- Mas eu só vou comprar o carrinho, os materiais e outras ferramentas. O resto, você vai ter que suar pra conquistar. - diz ele, sério.
- Sim, senhor. - digo com um sorriso.
Ando pela loja com meu pai e vejo um lindo carrinho. Ele é perfeito.
Sexta-feira, 28/03/2025
Eu vendi meu computador e também fiz um pequeno empréstimo. O carrinho que o papai me deu é simples, mas é lindo. Eu pintei e escolhi um nome encantador. O nome é Love Coffee, que quer dizer "Café do Amor", porque eu sinto amor quando preparo o café.
Hoje é meu primeiro dia, e estacionei o carrinho próximo a um supermercado.
- Poderia me servir um cappuccino? - pergunta Daniel.
- Claro que posso, senhor! - digo com um sorriso. - Que desenho o senhor gostaria que eu fizesse? - pergunto, ainda sorrindo.
- Eu gostaria de um coração, senhor - diz Daniel.
- É pra já, vou fazer o meu melhor - digo enquanto desenho.
- Aqui está, senhor - digo, entregando o cappuccino.
- Que lindo - diz Daniel, observando o desenho. - Está uma delícia - comenta após beber.
- Fico feliz! Você é meu primeiro cliente. Fico feliz que seja você - digo.
- Espero que tenha um ótimo dia de trabalho - diz ele.
- Ah, eu vou ter sim - responde Daniel, enquanto se aproxima. Eu estico o rosto e então... a gente se beija.
Quinta-feira, 26/06/2025
Com os meses que passei vendendo café no carrinho, fiquei chocado com a rápida popularidade que o meu café ganhou. As pessoas estão fazendo filas para tomar o meu café! Claro que tive que ouvir algumas perguntas chatas, como: "Nossa, você está vendendo café na rua, mesmo tendo um noivo rico?"
A fila agora está enorme.
- Próximo! - digo após servir um cliente.
- Eu vou querer dois cafés. Um com leite e outro sem - diz uma mulher.
- É pra já - digo, enquanto me viro para olhar a cliente. Quando a vejo, percebo que é a secretária do presidente.
- Ah, oi, senhora. Há quanto tempo! - digo, enquanto preparava o pedido.
- Eu quero que você capriche, pois um desses é para o presidente - diz ela.
- Eu sempre capricho nos meus cafés, senhora - digo.
- Ouviu o que eu disse? - ela questiona.
- Ouvi sim. Aqui está o seu pedido - digo, esticando o braço.
- O presidente fez questão que eu viesse comprar o seu café, no famoso Love Coffee. Passei um bom tempo na fila - diz ela, pegando os cafés.
- Espero que ele goste - digo, sorrindo.
- Até, Ariel - diz ela, indo embora.
- Próximo! - digo.
Domingo, 23/11/2025
Eu finalmente realizei o meu sonho: aluguei um ponto comercial! Ok... ele não estava exatamente em ótimas condições, na verdade, parecia mais um cenário de filme de terror com direito a goteira, rachadura e um cheiro suspeito de tinta vencida. Mas com o dinheiro que juntei das vendas no carrinho, consegui reformar tudo.
E o melhor de tudo: o Daniel está me ajudando na reforma. Ele aparece à noite, nos fins de semana, todo suado, mas com aquele sorriso lindo que me desmonta. Eu insisti pra ele não se cansar tanto, falei:
- Amor, você já trabalha demais, não precisa me ajudar.
Mas ele só riu, me abraçou (cheio de tinta, inclusive) e disse:
- E perder a chance de pintar as paredes contigo e ainda roubar uns beijos entre uma demão e outra? Tô fora!
Depois de muito esforço, finalmente está pronta. A minha cafeteria. Minha. É linda. E ali estamos nós, eu e Daniel, na frente dela, todos sujos de tinta, parecendo duas crianças depois de uma guerra de cores, admirando nosso pequeno império do café.
- Amor, está perfeito - diz Daniel, com os olhos brilhando.
- Nosso esforço valeu a pena - digo, apertando sua mão suja de tinta.
- Eu vou vir aqui todos os dias tomar seu café! E o mais incrível: é na rua do meu trabalho! Quando eu estiver com saudades, é só atravessar a rua - diz ele, rindo como uma criança animada.
Domingo, 07/12/2025
Digamos que... eu realizei todos os meus sonhos. A minha cafeteria, a Love Coffee, está indo tão bem que mal consigo acreditar. Tenho tantos clientes que precisei contratar funcionários, e agora somos todos uma grande família meio doida, mas cheia de amor e cafeína.
O pai do Daniel? Compra café lá todos os dias. Eu desconfio que ele gosta de mim, mas é orgulhoso demais pra admitir. Prova disso: ele deu ao Daniel um anel de família e ordenou que ele me entregasse. Romântico, né? (Se você ignorar o "ordenou").
Em breve, eu e Daniel vamos nos casar. Minha família está em festa, especialmente meu pai, que virou fã número um do Daniel. Acho que ele está mais empolgado com o casamento do que eu!
Hoje é domingo. Faz um mês que estamos morando juntos, e tudo está saindo melhor do que eu poderia sonhar. Estamos agora largados no sofá, num daqueles momentos preguiçosos e perfeitos.
- Toma, amor - diz Daniel, me oferecendo uma colher de bolo.
- Delicioso - respondo com a boca cheia, e nos beijamos logo depois. A doçura do bolo nem se compara com a do beijo.
Do nada, ele me pega no colo.
- Você não pesa quase nada - comenta, com aquele sorriso que só ele sabe dar.
Eu rio e pulo nas costas dele.
Depois, numa revanche improvisada, Daniel pula nas minhas costas, e nós dois desabamos no chão.
Entre gargalhadas e beijos, ele me enche de carinho ali mesmo, no tapete da sala. Meu coração se aquece tanto que parece derreter.
Eu amo esse homem.
E vou amar... para o resto da minha vida.