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Samayana
Pensamento

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tia_do_zap

Neste grupo há um poema rimado contra quem julga a roupa, o decote e os palavrões de alguém, dito em voz alta e sem pedir licença: [+14].

Neste grupo há um poema rimado contra quem julga a roupa, o decote e os palavrões de alguém, dito em voz alta e sem pedir licença: [+14].

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E, quando chegou ao fim, percebeu que talvez nunca tivesse sido uma história sobre chegar a algum lugar.

Era sobre não se perder enquanto caminhava.

Ela passou boa parte da vida tentando cuidar. Cuidou de animais que não podiam pedir socorro, de pessoas que precisavam de alguém que acreditasse nelas, de equipes, de projetos, de sonhos que muitas vezes pareciam maiores do que ela. Aprendeu a liderar, a resolver problemas, a carregar responsabilidades e, algumas vezes, a fingir que não estava cansada.

Mas houve um momento em que entendeu uma coisa que ninguém havia lhe ensinado:

cuidar de si também é uma forma de coragem.

Ela descobriu que nem toda porta fechada era uma derrota. Algumas eram apenas a vida dizendo: “você já deu o que tinha para dar aqui.”

E então começou a deixar para trás lugares, pessoas, expectativas e versões de si mesma que já não cabiam mais nela.

Não saiu ilesa.

Carregou algumas cicatrizes, algumas saudades, algumas perguntas sem resposta. Carregou também a lembrança de tudo aquilo que tentou salvar e não conseguiu. Mas aprendeu que fracassar em salvar alguma coisa não significa ter fracassado em amar.

Talvez essa tenha sido sua maior contradição:

ela era forte demais para desistir, mas sensível demais para não sentir.

E foi justamente isso que a tornou quem era.

No fim, ela não queria mais provar que conseguia suportar tudo.

Queria uma vida que não precisasse ser suportada.

Queria acordar e sentir que estava no lugar certo. Queria projetos que tivessem propósito. Queria continuar cuidando dos animais, criando coisas, inventando caminhos, colocando beleza onde antes havia apenas rotina. Queria rir mais. Amar sem precisar se diminuir. E, principalmente, queria olhar para a própria história sem sentir vergonha das escolhas que fez quando ainda estava tentando descobrir quem era.

Ela finalmente entendeu que não precisava juntar todos os fragmentos da sua história.

Alguns deveriam permanecer separados.

Porque nem todo fragmento precisa voltar ao lugar de onde veio.

Alguns existem apenas para lembrar que, um dia, ela quebrou.

E que, mesmo assim, continuou sendo inteira.

Então fechou o livro.

Não porque a história tivesse acabado.

Mas porque, pela primeira vez, ela não precisava saber o que aconteceria na próxima página.

Sorriu.

Respirou fundo.

E caminhou.

Sem destino escrito.

Sem precisar ser forte o tempo inteiro.

Sem carregar o mundo nas costas.

Apenas sendo ela.

E talvez, depois de tantos anos tentando cuidar de tudo ao redor, aquela fosse finalmente a parte mais bonita da história:

ela havia aprendido a cuidar de si também.

Fim.

Ou melhor…

começo.

Thoughts

  • pfreitas88

    Fechar o livro sem saber a próxima página foi, para mim, o gesto mais livre aqui. No fragmento “…” outra mulher também deixa de tentar ser perfeita.

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  • marceneiroamador

    Os fragmentos que ficam separados de propósito. Tem tábua que racha e segura melhor com a rachada à mostra do que colada torta.

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  • tia_do_zap

    Neste grupo há um poema rimado contra quem julga a roupa, o decote e os palavrões de alguém, dito em voz alta e sem pedir licença: [+14].

    Permalink
  • tia_do_zap

    Querida, fechar o livro sem saber a próxima página ficou comigo o dia todo. Gostei que ela sorri, respira e só depois caminha, nessa ordem.

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