THIGAS 2 — A LENDA DO DEUS-DRAGÃO
CENA 1 — DOIS ANOS DEPOIS
Dois anos se passaram desde a fuga da Jaula dos Esquecidos.
Thigas e os antigos prisioneiros finalmente conseguiram reconstruir suas vidas. Agora, todos moram juntos em uma pequena cidade tranquila e costumam passar os fins de semana em um enorme parque cheio de árvores, brinquedos e restaurantes.
Thigas está sentado em um banco com Marcos e os outros amigos, tomando refrigerante e rindo.
MARCOS:
— Quem diria... dois anos atrás a gente estava fugindo de vilões. Hoje estamos discutindo qual hambúrguer comprar.
THIGAS:
— E olha que isso é muito mais perigoso para o meu bolso.
Todos riem.
Depois de algum tempo, eles entram em um restaurante do parque.
Um dos amigos, porém, percebe que sua carteira está vazia.
AMIGO:
— Gente...
THIGAS:
— O quê?
AMIGO:
— Eu esqueci que não tenho dinheiro suficiente.
O garçom olha para ele.
GARÇOM:
— Senhor, infelizmente não podemos liberar a conta sem pagamento.
O amigo fica desesperado.
AMIGO:
— Eu juro que vou pagar depois!
Do lado de fora, um policial que estava fazendo patrulha percebe a confusão.
POLICIAL:
— Senhor, preciso que venha comigo.
AMIGO:
— Mas eu não roubei nada!
Ele sai correndo.
THIGAS:
— Ih... isso vai dar problema.
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CENA 2 — KAUE APARECE
Enquanto o policial corre atrás do amigo, Thigas e os outros saem do restaurante.
De repente, Marcos para.
Seu rosto muda completamente.
MARCOS:
— Gente...
THIGAS:
— O quê?
Marcos aponta discretamente para o outro lado do parque.
Ali está Kaue.
Dessa vez, ele está sozinho.
Sem capangas.
Sem armas aparentes.
Mas ainda tem aquele olhar arrogante.
Thigas imediatamente fica sério.
THIGAS:
— Kaue...
MARCOS:
— Não olha muito. Vamos embora devagar.
Todos começam a andar calmamente na direção oposta.
THIGAS:
— Ninguém corre.
AMIGO 2:
— Por quê?
THIGAS:
— Porque se ele perceber que estamos com medo, vai querer alguma coisa.
Kaue observa o grupo.
KAUE:
— Thigas...
Thigas para.
THIGAS:
— Não.
KAUE:
— Eu só falei seu nome.
THIGAS:
— E eu já respondi.
Antes que Kaue possa dizer qualquer coisa, eles escutam alguém gritando.
AMIGO:
— THIGAS! SOCORRO!
Todos olham para trás.
O amigo está correndo desesperadamente.
Atrás dele está o policial.
POLICIAL:
— PARE! VOCÊ PRECISA EXPLICAR O QUE ACONTECEU!
THIGAS:
— Meu Deus...
O amigo passa correndo por Kaue.
Kaue se assusta e dá um passo para trás.
O policial tenta desviar.
Mas o chão simplesmente desaparece sob seus pés.
POLICIAL:
— O QUÊ?!
Ele cai em um enorme poço escondido pela vegetação.
THIGAS:
— CUIDADO!
Thigas e os outros correm até o buraco.
Mas o solo começa a desmoronar.
MARCOS:
— CORRAM!
Tarde demais.
Thigas, Marcos e os outros também caem.
Kaue olha para o buraco.
KAUE:
— Ah, não...
O chão abaixo dele também desaba.
KAUE:
— NÃÃÃÃÃO!
Todos despencam.
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CENA 3 — OUTRA DIMENSÃO
Thigas abre os olhos.
Ele está em uma floresta completamente diferente.
O céu é roxo.
As árvores são gigantescas.
E existem pedras brilhantes espalhadas pelo chão.
THIGAS:
— Onde... onde estamos?
Marcos olha ao redor.
MARCOS:
— Definitivamente não é o parque.
Thigas percebe que o policial e o amigo não estão ali.
THIGAS:
— Cadê eles?
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CENA 4 — O OUTRO LADO
Em outra parte da dimensão, o policial acorda.
Ele está algemado.
O amigo está sentado ao lado dele.
AMIGO:
— Senhor policial...
POLICIAL:
— Você vai ter que explicar muita coisa.
AMIGO:
— Eu sei...
Ele abaixa a cabeça.
Enquanto isso, Thigas e os outros encontram Kaue.
Kaue está sentado no chão, irritado.
KAUE:
— Isso é culpa de vocês.
THIGAS:
— Como exatamente isso é culpa nossa?
KAUE:
— Não sei. Mas alguém tem que ser culpado.
MARCOS:
— Você continua igualzinho.
Kaue se levanta.
KAUE:
— Precisamos sair daqui.
THIGAS:
— Finalmente concordamos em alguma coisa.
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CENA 5 — A LENDA
Eles encontram uma antiga construção de pedra.
Dentro dela existe uma inscrição.
Marcos consegue decifrar algumas palavras.
MARCOS:
— "Quando o segundo sol aparecer..."
Thigas olha para o céu.
THIGAS:
— Segundo sol?
Marcos continua.
MARCOS:
— "O Deus-Dragão despertará."
Todos ficam em silêncio.
KAUE:
— E o que ele faz?
Marcos lê o restante.
MARCOS:
— Ele cobre a terra com fogo.
Kaue perde o sorriso.
THIGAS:
— Quanto tempo temos?
MARCOS:
— Dois dias.
Kaue olha para todos.
KAUE:
— Então teremos que trabalhar juntos.
THIGAS:
— Não confio em você.
KAUE:
— Eu também não confio em vocês.
THIGAS:
— Ótimo.
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CENA 6 — O ENCONTRO
Depois de horas procurando uma saída, Thigas encontra uma passagem subterrânea.
Lá embaixo, eles finalmente encontram o policial e o amigo.
O policial ainda está algemado.
THIGAS:
— Vocês estão bem?
AMIGO:
— Estamos.
Kaue olha para o policial.
KAUE:
— Tire as algemas dele.
THIGAS:
— Você está mandando em quê?
KAUE:
— Estou dizendo que precisamos dele.
O policial encara Kaue.
POLICIAL:
— Você é Kaue?
Kaue fica sério.
KAUE:
— Sou.
O policial fica desconfiado.
POLICIAL:
— Então você é o responsável por tudo aquilo que aconteceu com Thigas e os outros?
Kaue fica em silêncio.
Pela primeira vez, não responde com arrogância.
KAUE:
— Sim.
Thigas observa.
Kaue respira fundo.
KAUE:
— Eu fiz muita coisa errada.
Todos ficam surpresos.
KAUE:
— Passei anos achando que ser forte significava controlar os outros. Achava que nunca precisava pedir desculpas.
Ele olha para o policial.
KAUE:
— Mas eu estava errado.
O amigo olha para o policial.
AMIGO:
— Eu também fiz errado. Corri porque não queria enfrentar meu problema.
Ele começa a chorar.
AMIGO:
— Me perdoa.
O policial permanece em silêncio.
Kaue olha para ele.
KAUE:
— Perdoar não significa dizer que o que aconteceu foi certo.
O policial olha para Kaue.
KAUE:
— Significa decidir que o passado não vai controlar o resto da sua vida.
O policial fica pensativo.
Depois de alguns segundos, ele pega a chave e solta as algemas do amigo.
POLICIAL:
— Eu perdoo você.
O amigo sorri emocionado.
AMIGO:
— Obrigado.
Kaue estende a mão para o policial.
KAUE:
— Então vamos sair daqui juntos.
O policial aperta a mão dele.
POLICIAL:
— Juntos.
Thigas sorri.
THIGAS:
— Nunca pensei que veria isso.
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CENA 7 — O DEUS-DRAGÃO
No segundo dia, a terra começa a tremer.
Um rugido gigantesco ecoa pela dimensão.
MARCOS:
— Ele acordou.
Todos olham para o céu.
Uma enorme criatura alada aparece entre as nuvens.
É o Deus-Dragão.
Suas asas cobrem o céu.
THIGAS:
— CORRAM!
O dragão abre a boca.
Uma enorme quantidade de fogo começa a ser formada.
KAUE:
— A saída!
Eles correm para o poço que aparentemente conecta as duas dimensões.
O dragão lança fogo.
THIGAS:
— MAIS RÁPIDO!
Todos começam a subir.
Kaue ajuda o policial.
O policial ajuda o amigo.
Marcos ajuda outro dos prisioneiros.
O fogo se aproxima.
KAUE:
— VAI! VAI! VAI!
Thigas alcança a borda.
THIGAS:
— TODO MUNDO PRA FORA!
Eles conseguem sair do poço no último segundo.
O fogo passa por cima deles.
Silêncio.
Todos ficam deitados no chão, respirando aliviados.
Kaue olha para o céu.
KAUE:
— Nunca mais quero ver aquele lugar.
Thigas começa a rir.
THIGAS:
— Pela primeira vez concordamos em alguma coisa.
Todos riem.
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CENA FINAL — O SHOW
De volta ao mundo normal, alguns dias depois.
Thigas, Marcos, os antigos prisioneiros, o amigo, o policial e até Kaue estão em um grande show.
Música alegre toca.
Todos cantam juntos.
Kaue está ao lado do policial.
Thigas chega perto.
KAUE:
— Thigas...
THIGAS:
— O quê?
Kaue olha para o palco e sorri.
KAUE:
— É bom estar de volta.
Thigas sorri.
THIGAS:
— É. Depois de tudo que aconteceu... é bom mesmo.
O policial se aproxima.
POLICIAL:
— E dessa vez ninguém está correndo da polícia.
O amigo levanta a mão.
AMIGO:
— Prometo!
Todos começam a rir.
A câmera se afasta lentamente enquanto todos cantam e dançam.
Thigas olha para seus amigos.
Marcos coloca o braço sobre o ombro dele.
MARCOS:
— No fim, conseguimos.
THIGAS:
— Conseguimos.
Kaue olha para eles.
KAUE:
— E agora?
Thigas sorri.
THIGAS:
— Agora a gente vive.
A música aumenta.
A câmera sobe mostrando o parque iluminado, as pessoas comemorando e todos os personagens juntos.
FIM.
CENA PÓS-CRÉDITOS
Um lugar misterioso.
Uma sombra enorme aparece entre as árvores.
Dois olhos vermelhos se abrem.
Uma voz desconhecida sussurra:
VOZ:
— Eles realmente acham que acabou?
Corta para preto.
CONTINUA... 😈