Submissos sonhos
A noite esconde as cicatrizes
Dos dias mais felizes...
E lembro, assim, no escuro do meu quarto,
Dos áureos tempos de um amor sem crise
E que hoje ainda guardo,
Com tanto amor,
Com tanta dor,
Que sempre, até dormir, eu antes, ardo...
E, quando durmo, muito eu sonho
Que tenho fé, que ponho,
As esperanças num retorno novo;
Pedinte a ti, chorando eu te proponho,
Um recomeço nosso,
Humilde e lindo,
Profundo e infindo
Ao não lembrar escombros e destroços!
Mas sempre vem a luz do dia
Mostrando a fantasia
Dos meus enganos ao sonhar dormindo.
Enxugo o pranto triste da utopia
Do dia negro vindo,
E mordo a boca
E fico louca
E me contento por sorrir, fingindo...