SONETO DA DESVENTURA
(Fernando Marx)
Ouça meu amor
O canto da desventura
de não poder mais
Te envolver em meus braços
Cada nota dele
Reclama a distância
Que me impede
De sentir o teu cheiro
Entoa, melancólico
A rudeza da minha pele
Que não mais a sua
Toca e amacia
Grita em seu refrão
O tormento da lonjura
Porque os meus olhos
Não te conseguem ver
E as noites dormidas
Em olhos abertos
E o corpo, sofrido
Perdido na cama vazia
Ouça, meu amor
O que o meu canto
Lamenta e desespera
Sem conseguir se calar
E por mais que queira
Não erra as notas
Segue dançando na dor
Que não vai passar