Corre o rio
Corre o rio num resplendor de risco d’água,
Insistente, e serpenteando os seus contornos,
Vê no verde refletido em suas águas,
A beleza da floresta e seus adornos.
Corre o rio e, rastejante, à terra afaga:
Quando é dia, à luz, sacia a sede vinda;
Quando é noite, canta baixo em serenata,
Vai ninando ao colo a flora e fauna, infindas.
Corre o rio levando a vida no seu seio,
Aplaudindo os filhos no ballet dos peixes,
Rente ao movimento de um nadar sem freios,
Sob intenso sol que doura e cora em feixes.
Corre o rio em seu instinto mais selvagem,
Adubando a vida, alimentando a morte:
Palco de água viva, via de passagem,
Onde fica o fraco e firme vai o forte.
Corre o rio se sustentando em sua fonte,
Aguardando a chuva em alimento, o mel,
Que conserva a busca a todo um horizonte,
A correr pra sempre e dependente ao céu.
Corre o rio, a grande artéria da floresta,
Leva e traz a vida em gotas e sementes,
Doa um gene aqui, plantando ali, se empresta,
Veia em roda viva, em ciclo, eternamente.
Corre o rio, veloz ou vagaroso, enfim,
Como espelho que reflete, movediço,
Paisagens, fotos verdes sem ter fim,
Fita e fotografa fatos de feitiço.
Corre rio! Deságua em mim as suas águas,
Cura um peito turvo em doce correnteza,
Vem correr feliz, na luz, sem dor, sem mágoas
Traz pra minha essência, seiva e natureza.