Soneto da caverna
No escuro andei metade desta estrada
E ouvia vozes sem nenhum sentido;
A mente mergulhada em água rasa
E o passo sempre atrás ao percorrido.
Imerso pelo efeito da manada
Com ela envenenado e distraído
Fugia, dia a dia, a vida em cada
Pegada que existia sem ter ido.
Mas eis que foi no breu de uma caverna
A forja, o ponto, exames e a sutura
Das cinzas cicatrizes de uma morte...
Entrei em restos mortos pelo alerta
De todos os silêncios fiz a cura
Voltei, Hidra de Lerna, bem mais forte!