Tipo, aquele momento quando ela se levanta e sai assim... ela tá certa em recusar ser fantasma, mas será que Vitor consegue acompanhar?
SOCIEDADE POBRE NOBRE - CAPÍTULO 2
**Será que o duque finalmente perceberá o quanto lhe faltam habilidades como marido?**
Pensamento
Tipo, aquele momento quando ela se levanta e sai assim... ela tá certa em recusar ser fantasma, mas será que Vitor consegue acompanhar?
Conteúdo da publicação
CAPÍTULO 2
Deveria ser uma manhã igual às outras.
Como de costume, Milena levantou-se cedo, preparou-se para o dia e seguiu para o café da manhã antes de verificar os assuntos da mansão. No entanto, ao entrar na sala de jantar, parou por um instante.
Vitor estava sentado na outra extremidade da mesa.
Aquilo era completamente inédito.
Em quatro meses de casamento, eles nunca haviam tomado café juntos.
Ela aproximou-se devagar, observando a cena com cautela. Talvez tivesse acontecido alguma coisa na mansão e ninguém a informara. Ou... depois do comportamento da noite anterior, ele finalmente pediria o divórcio?
Sentou-se lentamente enquanto uma criada lhe servia o café.
— Bom dia, esposa. — disse Vitor em um tom calmo, surpreendendo todos os presentes.
— Bom dia, duque. — respondeu Milena com cautela. — Aconteceu alguma coisa esta manhã?
Vitor, que já levava a xícara aos lábios, interrompeu o movimento.
— Como assim, esposa?
Esposa de novo...
— É que o senhor está aqui hoje. É alguma data especial?
— Esposa, apenas pensei que seria bom tomarmos café juntos.
Milena o encarou em silêncio.
Os empregados ao redor permaneciam imóveis, tensos.
— Só isso mesmo?
Ela sabia que deveria parar de perguntar, mas o comportamento de Vitor a deixava inquieta.
Sua mãe sempre lhe ensinara que uma boa esposa jamais deveria incomodar o marido.
“Só assim um casamento duraria.”
Era o que repetia sempre que Milena fazia alguma pergunta sobre a vida de casada.
Ainda assim, ouvir Vitor chamá-la de esposa, como se ela lhe pertencesse, causava um incômodo difícil de explicar.
O homem sentado à sua frente ainda era um completo estranho, apesar dos quatro meses de casamento.
— Na verdade, esposa... — começou ele, visivelmente tenso. — Gostaria de me desculpar pelo que lhe falei ontem à noite. Acredito que tenha havido um mal-entendido.
— Está me dizendo que não pensou que eu estaria totalmente despreparada para receber seus pais?
Vitor se engasgou com o café.
Walter prontamente lhe entregou um guardanapo.
Ele limpou a boca devagar... tão devagar que parecia ganhar tempo para formular uma resposta.
— Duque?
— Ah... sim. Bem... confesso que imaginei que você, minha esposa, ainda não estivesse totalmente familiarizada com as funções de uma duquesa.
Milena o encarou com uma seriedade ainda maior.
Um arrepio percorreu a coluna de Vitor, fazendo-o estremecer.
— Mas é claro que eu estava errado em supor isso. Então... peço desculpas.
Milena limpou delicadamente os lábios com o guardanapo.
Um gesto elegante.
Quase sedutor.
Sua mãe lhe ensinara que aquele era o movimento ideal para fazer quando estivesse com vontade de socar o marido.
Ela olhou ao redor.
— Todos podem nos deixar.
Os criados saíram rapidamente, permanecendo apenas Walter.
Então Milena voltou sua atenção para Vitor.
— Duque, o senhor realmente pensou que eu ficaria nesta mansão vivendo como um fantasma?
Vitor lançou um olhar para Walter.
O mordomo tratou de desviar os olhos.
Milena levantou-se de repente.
— Entendo que o senhor seja um nobre muito ocupado, mas não sou um objeto de decoração. Muito menos um fantasma que ficaria vagando pela sua mansão.
Ela respirou fundo antes de completar:
— E, por favor... pare de me chamar de esposa.
Sem esperar resposta, virou-se e deixou a sala.
Vitor ainda tentou chamá-la, mas ela continuou andando.
Milena sabia que não deveria agir movida pela emoção.
Precisava apenas fazer o possível para manter aquele casamento.
Mas, à medida que conhecia de perto a maneira como o marido a tratava, uma discreta pontada surgia em seu peito.
Precisava sufocar qualquer sentimento antes que acabasse se machucando.
Vitor permaneceu parado enquanto Milena deixava a sala às pressas.
Tentou chamá-la, mas agora nem sabia como deveria se dirigir a ela.
Poderia chamá-la de Milena?
Algumas mulheres que conhecera preferiam ser chamadas pelo primeiro nome.
Mas Vitor sempre considerara aquilo impróprio.
— Duquesa.
Ele despertou dos próprios pensamentos.
Walter repetiu:
— Chame-a de duquesa, Vossa Graça.
Vitor o encarou seriamente.
Walter, mais uma vez, desviou o olhar.
— Walter.
— Me desculpe, meu senhor.
— Você me disse que mulheres casadas gostavam de ser chamadas de esposa.
Walter aproximou-se lentamente.
— Na verdade... eu disse que não tinha experiência com mulheres. Principalmente por nunca ter sido casado. Apenas comentei que poderia... entenda, poderia ser que a duquesa gostasse de ser chamada de esposa.
Fez uma breve pausa antes de concluir:
— Eu só não imaginei que Vossa Graça fosse chamá-la assim em praticamente todas as frases.
— Walter.
— Sim, senhor.
— Saia.
— É claro, senhor.
Walter deixou o cômodo ainda mais depressa do que Milena.
Vitor suspirou.
Era evidente que sua esposa estava ofendida.
Precisava acabar com aqueles mal-entendidos.
Principalmente com suas frases ambíguas.
Mas, antes de tudo, precisava descobrir como conhecer melhor a própria esposa.
— Walter!
O mordomo reapareceu quase imediatamente.
— Vossa Graça.
Vitor levantou-se.
— Venha comigo.
Os dois seguiram até o escritório.
Pelo caminho, alguns criados organizavam a sala principal.
Sem querer, Vitor ouviu uma das serviçais comentar sobre a expressão triste da duquesa.
Aquilo o fez perceber algo que até então lhe passara despercebido.
Milena já exercia uma influência significativa na mansão.
Minha mansão?
Ele corrigiu o pensamento imediatamente.
Nossa mansão.
Ela mesma havia usado aquelas palavras.
Como se ainda não pertencesse àquele lugar.
Vitor precisava de ajuda para compreendê-la.
E só havia uma pessoa capaz disso.
Alguém que a conhecia muito bem.
Ao chegar ao escritório, sentou-se, pegou uma folha de papel e começou a escrever.
Quando terminou, dobrou a carta, aplicou o selo de sua família e a entregou a Walter.
— Envie isto ao príncipe herdeiro.
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